Artigos, Bispos › 16/07/2020

O que é o Reino de Deus?

Há algum tempo, o Papa Emérito Bento XVI procurava responder a este questionamento: o que é o Reino de Deus do qual tanto se fala? Assim dizia: “O Reino de Deus não é uma coisa, uma estrutura social ou política, uma utopia. O Reino de Deus é Deus. Reino de Deus significa: Deus existe. Deus vive. Deus está presente e age no mundo, na nossa, na minha vida. Deus não é uma remota “causa última”, Deus não é o “grande arquiteto” do deísmo, que construiu a máquina do mundo e agora se encontra fora. Ao contrário: Deus é a realidade mais presente e decisiva em qualquer ato da minha vida, em todos os momentos da história”.

É este Deus que irrompe de forma surpreendente fazendo propostas de vida e de salvação para todos. O nosso esquema mental e a nossa lógica, muitas vezes apertada e pobre, podem conduzir-nos à intolerância ou ao medo. Por isso a Palavra de Deus nos lança o desafio para o verdadeiro conhecimento de Deus; desafio a uma vida de oração que alcança aquela visão e entendimento que ultrapassa “a carne e o sangue”; desafio do verdadeiro amor que permite saber discernir e dar-se inteiramente. A descoberta da beleza de Deus e suas atitudes de liberdade, de misericórdia, de sabedoria incrementam em nós a mansidão, a paz, a tolerância, uma sadia convivência na alegria do evangelho.

Neste Domingo, a Palavra de Deus nos ensina que nosso Deus é um Deus de justiça e de grandeza que se revela na indulgência, na bondade e na misericórdia. Um Deus que folga o que é justo e humano. Um Deus que vem em auxílio da nossa fraqueza e pobreza. Um Deus que vê no íntimo dos corações e sente alegria por todos os seus filhos a quem quer derramar vida abundante. Assim, o discípulo de Jesus é convidado a ter atitudes que manifestam o verdadeiro pensar e sentir de Deus diante dos fenômenos e situações da vida, por mais complexas e miseráveis que sejam.

Primeiro somos convidados a saber escutar a Palavra que Cristo nos dirige; a acolher os sinais e sementes que são lançadas em nós e nos outros; a sermos capazes de descobrir o que está por detrás da parábola, o que está por detrás de tantos estilos de vida e opções. E isso para permitir que as nossas atitudes, que nascem do encontro com Cristo, possam colaborar no projeto que Ele tem para todos.

Segundo é necessário pedir a Jesus Cristo que nos explique a parábola. O saber estar com Jesus na oração pessoal. O pedir explicação, luz e atitudes sábias, para que no dinamismo da entrega e do verdadeiro serviço e amor, permitam que a paz e a mansidão deem os melhores resultados na salvação de cada pessoa.

Terceiro aprender a ser humano, justo, misericordioso, compassivo. Ser sábio, sabendo e conhecendo as situações e nelas se envolver como o fermento, com o dinamismo da oração e da caridade.

Finalmente, é necessário colaborar com Deus para fazer crescer o Reino também no testemunho silencioso, fruto de quem reza e vive a sua fé. A perseverança maravilhosa de tantos cristãos que cuidam da sua família, que partilham a ternura com as crianças, idosos e doentes; dos que conseguem escutar os apelos silenciosos do mundo do sofrimento e procuram ir ao encontro para partilhar a esperança são sinais palpáveis da presença do Reino entre nós.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen