Artigos, Bispos › 22/01/2020

O Valor da Amizade

Hoje gostaria de saudá-los como amigos e amigas, pois nossa mensagem é sobre amizade. Estamos vivendo o tempo de férias, de descanso. Certamente o merecemos, depois de tanta correria que a vida moderna nos traz. O descanso é uma necessidade para todos nós. Ele é recomendado pelos médicos, psicólogos e até pela Igreja. No ano 321 d.C., por ordem do Imperador cristão Constantino, o Domingo – Dia do Senhor – é declarado também como dia de repouso (inclusive para os escravos), a fim de que todos os cristãos pudessem participar da celebração eucarística. Integra-se, desse modo, o descanso e o ato celebrativo do Domingo, estando o primeiro a serviço do segundo, pois nele celebramos e acolhemos o Ressuscitado, que deseja nossa união e partilha fraterna. Vivemos o descanso no sentimento da liberdade cristã, na recuperação das energias físicas e mentais, enquanto esperamos o “Domingo eterno”, que também chamamos “descanso eterno”.

Neste tempo de férias, de repouso ou descanso, visitamos muitos dos nossos amigos e amigas. E muitos deles, por sua vez, também retribuem a gentileza. Mas, quem é, de verdade, amigo ou amiga? Certamente, não é qualquer pessoa; e nem todos os chamados amigos nas redes sociais o são de verdade. Não gostamos de amizades superficiais, pois as chamadas amizades só de fachada não nos satisfazem e nem nos enriquecem. Para dizer a verdade, até podem atrapalhar.

Hoje, com vossa permissão, apresentarei algumas frases intercaladas do livro Pequeno Príncipe de A. Saint-Exupéry. Elas ajudarão a entender a verdadeira amizade e a responsabilidade e o compromisso que dela decorrem em nossa convivência. Percebamos o diálogo entre a raposa e o pequeno príncipe:

Pequeno Príncipe: –Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?

Raposa: – É algo quase sempre esquecido. Significa “criar laços”… Se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo…A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

Pequeno Príncipe: – O que é preciso fazer?

Raposa: – É preciso ser paciente… Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz!… Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração… É preciso que haja um ritual.

Pequeno Príncipe: – O que é um ritual?…

Raposa: – É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas… Vai rever as rosas. Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo… Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos… Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante… Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa…

Enquanto refletimos sobre este texto tão valioso, agradeço seu gesto amigo de ler.

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul