Artigos, Bispos › 10/11/2021

Para ser feliz

Como mensagem para essa semana, partilho a reflexão do meu colega Dom Paulo Peixoto, Arcebispo de Uberaba:

Começo com uma pergunta: quem não quer ser feliz? Nem é preciso responder, porque a resposta já está gravada no ser da pessoa. Mas devemos entender bem essa realidade, ter consciência de que a felicidade vem de dentro e não das coisas periféricas, de bem-estar, de aliviar sofrimento ou conseguido algum interesse. Nem todos chegam à paz interior, mesmo quem realizou o que queria.

Felicidade e paz interior são frutos de estados emocionais, construídos através da experiência autêntica de vida e fortalecidos ainda pela prática da fé. O acúmulo de bens materiais não consegue realizar a pessoa plenamente, porque estará sempre insatisfeita e em busca do que ainda não conseguiu. Numa nomenclatura baseada na fé, dizemos que a felicidade e a paz significam vida de santidade.

A felicidade, como privilégio de quem a detém, depende essencialmente de serena e equilibrada esperança e de uma mente emocional dominada, mesmo estando em tempo de provações e sofrimento. Nem tudo é vitória, mas cada ato precisa contribuir para a construção de um ambiente feliz. É nestas condições que está ancorada a proposta do projeto proclamado na Palavra de Deus.

Existe um confronto permanente entre o desejo premente de felicidade pessoal e a cultura da hostilidade, também fortemente presentes na realidade atual. Diante disso, a proposta de Jesus é o surgimento de um mundo novo, onde a felicidade deverá ser sem fim, mas depende de a pessoa reconhecer os sinais de sua chegada. Supõe ainda fidelidade e compromisso com a verdade e a justiça.

Vemos muito desânimo, cansaço e fragilidade das pessoas mediante os enfrentamentos, adversidades e dinâmica do egoísmo presentes na sociedade. Elas ficam fragilizadas e impotentes para agir. O caminho possível de superação é a comunhão com Deus, que acontece quando há consciência de pertença à família divina, porque aí as pessoas experimentam a força da solidariedade fraterna.

A sociedade hodierna vive as tensões e as consequências provocadas pela crescente agressividade da força do mal. É quase impossível ser feliz convivendo com um clima de insegurança, medo e violência. São sombras fortes que atingem e desafiam a todos, que evidenciam o quanto a pessoa humana é limitada e incapaz de ser feliz sozinha. Precisa saber que só Deus é o Senhor da história”.

Só me permito acrescentar minha convicção pessoal: quem busca desesperadamente a felicidade não a encontra, porque a felicidade vem como consequência de um projeto de vida saudável.

Para refletir: O que é para mim a felicidade? Em que consiste? Considero-me uma pessoa feliz? Porquê? A minha presença é motivo de alegria e felicidade no grupo de pertença?

Textos bíblicos: Dn 12, 1-3; Hb 10, 12-18; Mc 13, 24-32; Sl 15(16).

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório