Artigos, Bispos › 17/03/2021

São José, padroeiro da Igreja Católica

Com a Carta “com o coração de pai” (Patris Corde), o Papa Francisco, no último dia 08 de dezembro de 2019 instituiu o Ano de São José. Ele quer apresentá-lo de maneira “tão próxima da condição humana de cada um de nós”. Celebra os 150 anos da declaração de Pio IX, do Padroeiro da Igreja Católica. É apresentado, sobretudo com o olhar do “pai”. “O objetivo desta carta apostólica é aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo”.

José é o pai amado. Recorda-nos o Papa que sua grandeza é ter sido o esposo da Virgem Maria e “colocou-se inteiramente ao serviço do plano salvífico” (São João Crisóstomo). Ele fez de sua vida um serviço ao ministério da encarnação.

José é o pai na ternura. José foi um sinal da ação de Deus na vida de Jesus: ajudou-o a caminhar e inclinava-se para lhe dar de comer (cf. Os 11,3-4). “A ternura é a melhor forma para tocar o que há de frágil em nós. Muitas vezes o dedo em riste e o juízo que fazemos a respeito dos outros são sinal da incapacidade de acolher dentro de nós mesmos a nossa própria fraqueza, a nossa fragilidade”.

José é o pai na obediência. José nos ensina o caminho da obediência, que na Sagrada Escritura, muitas vezes, se dá pelos sonhos. Obedecer não é o mesmo que “explicar”, mas uma acolhida e entrega, sabendo quem é Deus. Recordemos a angústia de José pela gravidez de Maria. Ele não quer difamá-la e decide “deixa-la secretamente” (Mt 1,19). Jesus Cristo, “ao longo da vida oculta em Nazaré, na escola de José, Ele aprendeu a fazer a vontade do Pai. Tal vontade torna-se o seu alimento diário (cf. Jo 4, 34)”.

José é o pai no acolhimento. José acolhe Maria e não coloca condições prévias. “Neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher, José apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo não dispondo de todas as informações, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria”. A vida espiritual que José nos mostra não é explicável, mas um caminho que se acolhe, e a partir disso, compreende-se um sentido mais profundo.

José é o pai com coragem criativa. As dificuldades da vida não devem servir para resignação. “José é o homem por meio de quem Deus cuida dos primórdios da história da redenção; é o verdadeiro «milagre», pelo qual Deus salva o Menino e sua mãe”. José “sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”.

José é o pai trabalhador. O trabalho é a participação na obra criadora de Deus, desenvolver as potencialidades e qualidades. “Peçamos a São José Operário que encontremos vias onde nos possamos comprometer até se dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!”

José é o pai na sombra. José é sinal de uma paternidade maior, aquela de Deus. Um homem de muita confiança, nunca de frustração. Ele sabia que o Menino não era seu, mas foi confiado aos seus cuidados.

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta