Artigos, Bispos › 05/11/2021

Sede perfeitos

O ser humano tem desejo de felicidade plena, prazer total, ter bens sem fim, ser o primeiro, de eterna juventude, “vencer na vida”, vencer todos os campeonatos que participa, etc. Na solenidade de todos os santos é apresentado o ideal da perfeição espiritual e moral. Como diz o apóstolo em 1João 3,1-3: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! (…) Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é”. O desejo de santidade, com frequência, é abafado ou se tem “vergonha” expressá-lo, enquanto que os outros desejos são manifestos e exaltados.

A solenidade de Todos os Santos convida-nos para compartilhar a alegria celeste dos santos. Temos um pequeno número de santos oficialmente reconhecidos. Nesta solenidade recordamos os batizados de todas as épocas e lugares, mesmo que não conheçamos o seu rosto e o nome, que procuraram cumprir com amor e fidelidade a vontade de Deus. É uma festa da Igreja que já realizou a sua missão na terra e para toda Igreja que está caminhando.

São Bernardo (1090 +1153) fez uma interrogação no início de uma homilia no Dia de Todos os Santos. Mas “para que servem o nosso louvor aos santos?” Ele mesmo responde e ela continua atual. “Os nossos santos não têm necessidade das nossas honras, e nada lhes advém do nosso culto. Por minha vez, devo confessar que, quando penso nos santos, sinto-me arder de grandes desejos”. Comentando esta resposta, Bento XVI disse: “Eis, portanto, o significado da solenidade hodierna: contemplando o exemplo luminoso dos santos, desperta em nós o grande desejo de ser como os santos: felizes por viver próximos de Deus, na sua luz, na grande família dos amigos de Deus. Ser santo significa: viver na intimidade com Deus, viver na sua família. Esta é a vocação de todos nós, reiterada com vigor pelo Concílio Vaticano II, e hoje proposta de novo solenemente à nossa atenção”.

O Papa Francisco, através da exortação apostólica Gaudete et exsultate – Alegrai-vos e exultai –(19/03/2018) fez “ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheucada um nós “para sermos santos e íntegros diante dele, no amor (Efésios 1,4”) (n.2). Lembra também que o Senhor “quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa”(n.1).

A exortação de Francisco diz que a essência da santidade cristã está nas bem-aventuranças deixadas por Jesus. “Estas são o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre “como fazer para chegar a ser um bom cristão”, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças. Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia a dia da nossa vida” (n.63).

Comenta uma a uma das bem-aventuranças e concluicada reflexão com uma afirmação: “Ser pobre no coração: isto é santidade”. “Reagir com humilde mansidão: isto é santidade”. “Saber chorar com os outros: isto é santidade”. “Buscar a justiça com fome e sede: isto é santidade”. “Olhar e agir com misericórdia: isto é santidade”. “Manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor: isto é santidade”. “Semear a paz ao nosso redor: isto é santidade”. “Abraçar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas: isto é santidade”.

           Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo