Artigos, Bispos › 13/10/2019

Sínodo: apontar caminhos!

Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Está acontecendo, no Vaticano, o Sínodo para a região Pan-Amazônica. Durante três semanas acontecerá um intenso debate em torno de temas que dizem respeito à vida da Igreja naquela região e ao mesmo tempo, de questões conexas, a partir da ótica dos povos que a habitam.

A região Pan-Amazônica é constituída de aproximadamente 7,8 milhões de km², abrangendo nove países. Habitam a região cerca de 33 milhões de pessoas, sendo 3 milhões de indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos diversos.

O Sínodo representa um desafio a todo o Povo de Deus. É toda a Igreja que dirige seu olhar e atenção para uma região específica, procurando compreender quais são os seus desafios, preocupações e problemas, a fim de encontrar indicações viáveis para continuar respondendo vigorosamente às exigências da obra da evangelização junto àquela realidade.

No centro dos debates na aula sinodal estará a questão da vida. Não se pode esquecer que todas as formas de vida do planeta são filhas da Terra. O próprio corpo humano é feito do “barro da terra, no qual Deus ‘soprou’ o espírito de vida” (Gn 2,7). Compreende-se, assim, a inter-relação entre a vida e o meio ambiente, pois tudo o que se faz em prejuízo da Terra, se faz em prejuízo dos seres humanos e outras formas de vida.

Os participantes da assembleia sinodal são confrontados com questões intereclesiais, com desdobramentos sobre a realidade cultural, social, espiritual e religiosa daquela imensa região. A obra da evangelização junto àquela realidade se vê desafiada por problemas tais como as condições de pobreza e miséria de muitos, o tráfico humano, a exploração sexual, a perda da cultura e identidade dos povos originários, a criminalização e o assassinato de líderes locais, a apropriação e a privatização de bens naturais, as práticas predatórias de caça, pesca e exploração da terra, os megaprojetos infraestruturais — nem sempre respeitando o meio ambiente — o narcotráfico.

Pode-se assim compreender a indicação do Papa: “amai esta Terra, senti-a vossa… Comprometei-vos a salvaguardá-la, à defendê-la. Não a useis como mero objeto que se pode descartar.”