Artigos, Bispos › 01/10/2019

Sínodo, o jeito da Igreja ser

De 06 a 27 de outubro, a Igreja vive mais uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, convocada para a Região Pan-Amazônica. O Papa Francisco fez o anúncio no dia 15 de outubro de 2017,  com o objetivo de refletir sobre o tema: Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral . “Esses novos caminhos de evangelização devem ser elaborados para e com o povo de Deus que habita nessa região” (cf. Documento de Trabalho, Introdução). De acordo com Francisco, “o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”.

O Sínodo é uma instituição da Igreja Católica, criada por São Paulo VI, em 15 de setembro de 1965, visando permitir que a Igreja pudesse continuar o espírito colegiado que viveu no tempo do Concílio Vaticano II. A Igreja Católica já realizou 15 Assembleias Gerais Ordinárias do Sínodo, sem contar aquelas extraordinárias, como a que agora está em curso. Um Sínodo, por si só, é um grande dom, é a possibilidade do povo de Deus poder participar do aprofundamento de questões centrais da vida e missão da Igreja. Francisco falou várias vezes sobre a importância da Igreja ser sinodal, pois é o modo como a Igreja é no mundo, caminhando juntos (syn-hodos). Uma assembleia sinodal tem três momentos interligados: a) A convocação e o tempo da escuta. É o momento onde todo o povo de Deus pode participar, até quem tem opiniões diferentes daquela proposta no Documento de Trabalho. A diversidade de opiniões é válida e os padres sinodais poderão levar em conta todas as manifestações recebidas. b) O tempo da Assembleia, que se realiza em Roma. Já foram convocados e confirmados os 250 padres sinodais. O Papa Francisco preside e acompanha os trabalhos. No final, os padres sinodais, após aprovação da Assembleia, entregam o Documento Final ao Papa. c) Após a conclusão da Assembleia, o Santo Padre costuma escrever uma Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre o tema refletido. Aí, sim, teremos a palavra oficial do Magistério da Igreja.

O tema proposto, e já em curso, trouxe controvérsias, pois aborda a questão social da evangelização da Igreja. Sempre que a Igreja trata questões sociais o faz a partir do evangelho e  de toda a contribuição da Doutrina Social da Igreja, que iniciou em 1891, com a Rerum Novarum, de Leão XIII. A magnífica encíclica Laudato Si, de 18 de junho de 2015, está na base de todas as preocupações sociais, políticas e ambientais de Francisco, com um olhar amplo e profundo. O olhar central é uma “ecologia integral” que abarca juntos o ser humano e o meio ambiente, visto que não existimos separadamente.  “O Sínodo é filho da Laudato si e quem não leu essa Encíclica jamais entenderá o Sínodo sobre a Amazônia”, falou Francisco a um órgão de imprensa italiana. Francisco disse ainda na entrevista que a Laudato si não é uma encíclica verde, mas uma encíclica social baseada no cuidado da Criação. Também, nesta mesma entrevista, falou que o Sínodo “não é uma reunião de cientistas ou de políticos. Não é um parlamento. Nasce da Igreja e terá missão e dimensão evangelizadoras. Será um trabalho de comunhão conduzido pelo Espírito Santo” (cf. vaticannews).

Procuremos ler sobre o assunto, principalmente nos meios oficiais, para não nos deixarmos levar por opiniões de cunho duvidoso. Acompanhemos com atenção e com nossas orações os padres sinodais que irão nos representar. Que nossa posição seja sempre na comunhão com Pedro e com o colégio episcopal.

Dom Adelar Baruffi

Bispo Diocesano de Cruz Alta