Artigos, Bispos › 12/09/2019

Uma vacância desafiadora

Domingo passado, retornando da solene missa na Catedral Santa Tereza D’Ávila de Caxias do Sul, na qual Dom José Gislon, que foi bispo em nossa Diocese por sete anos, iniciou o seu ministério episcopal naquela Diocese, senti mais vivamente o sentimento de uma espécie de orfandade por esta porção do povo de Deus, nossa Diocese de Erexim, não ter mais o bispo a quem fora confiada. Era o sentimento parecido com o de uma família pela ausência do pai.

Nas minhas divagações, inquietaram-me algumas perguntas: por quanto tempo será? Como vamos nos organizar e prosseguir a caminhada? O que pode significar este período de vacância episcopal?

Tendo que assumir a função de Administrador diocesano até a posse canônica do novo bispo, tento lembrar alguns aspectos que pode significar este período que a Diocese vive a dois anos de celebrar seu cinquentenário.

O primeiro deles é retomar a natureza e a missão do Bispo. Conforme documento do Concílio Vaticano II, o bispo, sucessor dos apóstolos, é mestre da doutrina, sacerdote do culto sagrado e ministro do governo da Igreja. Os bispos são, efetivamente, os arautos da fé, que levam a Cristo novos discípulos; e os doutores autênticos, isto é, investidos da autoridade de Cristo, que pregam ao povo a eles confiado a fé que deve crer e aplicar à vida, que a ilustram à luz do Espírito Santo, tirando do tesouro da revelação coisas novas e velhas. A eles está confiado plenamente o ofício pastoral, isto é, a solicitude habitual e cotidiana das suas ovelhas.

Um segundo aspecto é recordar a figura dos três Bispos que tivemos nesses 48 anos de vida diocesana, Dom João Aloysio Hoffmann, transferido da Diocese de Frederico Westphalen; Dom Girônimo Zanandréa, agora emérito, que era do nosso presbitério; Dom José Gislon, da Ordem Capuchinhos, que estava no seu Conselho Geral por oito anos, em Roma. Cada um, a partir de seu jeito de ser, deixou sua marca na vida diocesana.

Um terceiro aspecto é o desafio de todos nós, padres, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas, leigos e leigas fortalecer nossa unidade, nosso serviço à comunidade cristã e atuação profético-transformadora na sociedade. Como numa família quando o pai está hospitalizado ou de viagem, os filhos se esforçam mais para se quererem bem, para executar as atividades da casa, numa palavra, para mostrarem serviço ao pai quando de seu retorno.

Um quarto aspecto é rezarmos, ardentemente, pela nomeação do novo Bispo e pelas necessidades da Diocese, dispondo-nos a acolher quem nos for enviado.

A todos, votos de um domingo feliz e de ótima semana, com a bênção divina.

Pe. Antonio Valentini Neto, Administrador Diocesano de Erexim.