Vídeos › › 30/11/2021

Dezembro: Os Catequistas

 

Testemunhas da Palavra

Dezembro é um mês liturgicamente muito rico, uma oportunidade para nos aproximarmos ainda mais da Palavra de Deus e dos sacramentos, sendo o Adventoo tempo especial que a Igreja nos oferece para nos prepararmos bem para receber o nosso Senhor no Natal. Praticamente todos nós descobrimos o significado do Advento, do Ano litúrgico e de tantas outras coisas relacionadas à fé através de nossos catequistas. Exatamente esses grandes educadores na fé o Papa Francisco nos convida a ter presente nas nossas orações durante o mês. O Papa pede-nos para rezar “pelos catequistas, chamados a anunciar a Palavra de Deus, para que sejam testemunhas da Palavra com coragem e criatividade na força do Espírito Santo”.

Essa intenção de oração se reveste de significado ainda mais profundo quando a associamos à recente instituição do ministério laical de Catequista, anunciada pelo próprio Papa Francisco no último 10 de maio através da sua carta apostólica Antiquumministerium(AM). Nessa carta sob forma de motu proprio, o ministério de catequista vem indicado pelo Sumo Pontífice como um dos primeiros serviços da Igreja primitiva elencados por Paulo no capítulo 12 da sua primeira epístola aos Coríntios. O Papa afirma que: “Desde os seus primórdios, a comunidade cristã conheceu uma forma difusa de ministerialidade, concretizada no serviço de homens e mulheres que, obedientes à ação do Espírito Santo, dedicaram a sua vida à edificação da Igreja. (…) É possível reconhecer, dentro da grande tradição carismática do Novo Testamento, a presença concreta de batizados que exerceram o ministério de transmitir, de forma mais orgânica, permanente e associada com as várias circunstâncias da vida, o ensinamento dos apóstolos e dos evangelistas.” (AM, n. 2)

Francisco reconhece ainda que “nos nossos dias, há muitos catequistas competentes e perseverantes que estão à frente de comunidades em diferentes regiões, realizando uma missão insubstituível na transmissão e aprofundamento da fé” (AM, n. 3). Em regiões como a Amazônia, onde muitas comunidades não contam com a presença regular de um sacerdote, são os catequistas, entre outros ministros, que educam e nutrem na fé milhares de crianças e adultos. O Sínodo dos bispos para a Amazônia e a sua exortação apostólica pos-sinodal apontam-nos tantos exemplos que valeriam a penaserem recordados, mas o que gostaria de ressaltar aqui é a importância do reconhecimento do catequista como ministério, ligado à valorização do laicato e da sua missão, e que ao mesmo tempo reforça a identidade do catequista – e do leigo em geral – como membro ativo da evangelização na Igreja.

Fazendo ligação com o novo Diretório para a catequese, publicado em 2020 pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, e com a sua primeira exortação apostólica, a Evangeliigaudium, o Papa afirma que ocatequista é um especialista na arte do acompanhamento: é simultaneamente testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da Igreja. Antiquumministerium destaca que “o catequista é chamado, antes de mais nada, a exprimir a sua competência no serviço pastoral da transmissão da fé que se desenvolve nas suas diferentes etapas: desde o primeiro anúncio que introduz no querigma, passando pela instrução que torna conscientes da vida nova em Cristo e prepara de modo particular para os sacramentos da iniciação cristã, até à formação permanente que consente que cada batizado esteja sempre pronto «a dar a razão da sua esperança a todo aquele que lha peça».”(AM, n. 6) O Diretória para a catequese oferece os princípios teológico-pastorais fundamentais e algumas orientações gerais que são relevantes para a práxis catequética no nosso tempo através de 12 capítulos divididos em três partes: 1. A catequese na missão evangelizadora da Igreja, 2. O processo catequético, 3. A catequese nas Igrejas particulares.

No mesmo parágrafo da Antiquumministerium apenas citado (n. 6), Francisco fala sobre a necessidade da oração para fortalecer e assegurar a identidade do catequista. Alerta para o fato que “só mediante a oração, o estudo e a participação direta na vida da comunidade é que se pode desenvolver com coerência e responsabilidade” o ministério do catequista, daí a importância de todos acompanharmos o Papa na sua intenção para este mêse assim sustentarmos também através das nossas orações este ministério, para que os catequistas possam continuar a ser “testemunhas da Palavra com coragem e criatividade na força do Espírito Santo” em cada paróquia.

Frei Darlei Zanon, religioso paulino