Vocação e história pessoal

Na fé vivida como vocação cristã intervêm dois elementos fundamentais: o chamado de Deus e a resposta pessoal. Não podemos esquecer que quem tem a iniciativa da vocação é Deus e não os propósitos, ideias e decisões que nós tomamos.

A resposta pessoal é possível graças ao chamado de Deus, em Jesus Cristo, por obra do Espírito Santo, que brota em nosso interior e no meio de tantos acontecimentos que nos rodeiam. Deus atua em nossa vida. Não somente num determinado momento, quando cremos perceber sua presença, mas ao longo de toda nossa vida.

É preciso aprender a “ler” a própria história pessoal em chave da fé, como chamada de Deus. Nossa história pessoal é nossa história de salvação. Uma não ocorre a margem da outra, mas é a mesma história pessoal lida a partir da intervenção salvadora de Deus.

Temos que descobrir a pedagogia de Deus para conosco. Por isso, devemos procurar não dissociar nunca a fé da vida. Não são duas coisas distintas. A fé é uma maneira de viver, e na própria história de cada um, podemos perceber os múltiplos acontecimentos, agradáveis ou desagradáveis, as complexas circunstâncias, as pessoas concretas que Deus colocou em nosso caminho, por meio das quais reconhecemos sua presença e sua chamada a viver a partir Dele.

Repassar a história vocacional permite a cada um conhecer-se mais. Ajuda a descobrir os condicionamentos familiares, ambientais, do trabalho, da educação, da sociedade, nos quais tem vivido, sua evolução na fé, seus valores e ideais…..elementos e fatores que desenham as linhas da sua fé vivida como vocação.

Uma atenção especial deve dar-se aos elementos afetivos do processo vocacional. A maturidade da pessoa tem muito que ver com a coerência entre a cabeça (razão) e o coração (afetividade). É preciso saber se deixar conduzir pelo Mestre e, ao mesmo tempo, ser feliz e realizado plenamente. Isso é viver a vocação.

Rudinei Zorzo – Coordenador do Serviço de Evangelização da Juventude do Regional Sul 3.