A união na Eucaristia
O Evangelho que escutamos nesta quinta-feira, 4 de junho, Festa de Corpus Christi — a festa do Corpo e do Sangue do Senhor, ou seja, a festa da Eucaristia — é a passagem de João 6,51-58.
O primeiro versículo (Jo 6,51) é exatamente uma resposta de Jesus ao questionamento dos judeus, que murmuravam porque Ele dissera “Eu sou o pão que desceu do céu” (Jo 6,41). Questionando, os judeus maldiziam: “não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: ‘Desci do céu’?” (Jo 6,42). Esta discussão se conclui com a resposta de Jesus, que afirma: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. O pão é a minha carne, que eu darei para a vida do mundo” (Jo 6,51).
A resposta de Jesus, gerou, então, outra pergunta: “Como pode este dar-nos a sua carne a comer?” (Jo 6,52). Lembremos que estamos no Evangelho de João, que está nos revelando a vida nova e, por isso, também nos revela um alimento novo, que se torna necessário à vida nova. É interessante observar que o verbo “comer” aparece reagindo aos substantivos “carne” e “pão”. Fica claro que comer “o pão descido do céu” é comer “a carne do Filho do Homem”, o que equivale a dizer: comer, mastigar, triturar a pessoa de Jesus; assim como a sua identidade, o seu modo de viver. Só assim a vida verdadeira, a eterna, entra em nós e transforma a nossa vida, configurando-a à vida de Jesus.
O pão que Jesus dá não serve apenas de sustento para a vida terrena como nutrição, nem livra da morte terrena, afinal, o próprio Jesus morreu. Mas, o pão que é Jesus, e o qual oferece, concede vida eterna. Como recuperou o Evangelho de João: “Quem come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,58). Esta é a melhor e mais realista tradução da nossa comunhão eucarística. Portanto, vida nova e eterna, ressuscitada, significa comunhão e intimidade entre Deus e a humanidade. Por isso, e para isso, Jesus se fez um de nós, descendo ao nosso mundo e se entregando completamente, dando por nós a sua vida e, ao mesmo tempo, nos concedendo também a vida eterna.
A Eucaristia é, na verdade, esta união: a comunhão entre Deus e o homem, que gera comunhão entre todos os membros da assembleia cristã e orante. Sabemos que o contrário de bendizer é maldizer. Bendizer une; maldizer divide. Celebrar a Eucaristia significa, especialmente a nós que participamos, dizer bem, pensar bem, querer bem, fazer o bem. É, portanto, o novo e belo programa de vida. É nesse mesmo sentido que nos recorda o salmista: “Como é bom e como é belo viverem unidos os irmãos” (Sl 133,1).
+ Dom Carlos Romulo
Bispo da Diocese de Montenegro