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A amizade social

 

A Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, traz à tona a importância da amizade social como um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço. De acordo com o Papa, a amizade social é “uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas, independentemente de sua proximidade física” (FT, 1). É um amor que deseja abraçar a todos e comunicar o amor de Deus, recusando impor doutrinas por meio de uma guerra dialética.

A amizade social é a base para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Ela representa a capacidade diária de alargar o círculo, alcançando aqueles que não fazem parte do nosso mundo de interesses imediatos, mas que se encontram próximos a nós. Este conceito de amizade social vai além de simples ações benéficas, pois implica em uma união que tende cada vez mais para o outro, considerando-o precioso, digno, aprazível e bom, independentemente das aparências físicas ou morais.

A amizade social, portanto, implica em um amor que se estende para além das fronteiras, alcançando todo ser vivo. Ela rompe as cadeias que nos isolam e separam, lançando pontes e permitindo a construção de uma grande família na qual todos podemos sentir-nos em casa. É um amor que sabe de compaixão e dignidade, e que nos convoca a formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros.

Ao utilizar o conceito de amizade social como subtítulo da Encíclica, o Papa Francisco manifesta o desejo de alargar este conceito e elevá-lo ao nível de realmente acolher a todos, com a inclusão dos pobres, dos abandonados, dos doentes e dos últimos da sociedade, com a prática comprometida da solidariedade humana. Ele destaca a importância de estruturar a sociedade de modo que o próximo não venha a se encontrar na miséria, e aponta a política como o mais alto grau da caridade.

Assim, a amizade social é o antídoto contra um ser humano fechado em si mesmo e um mundo fechado aos vulneráveis e improdutivos. Ela convoca a valorizar o direito à vida e o desenvolvimento integral, sobrepondo-se ao individualismo utilitarista, que fecha as pessoas à transcendência de si mesmas, pois é um chamado à valorização da pessoa humana e à construção de uma sociedade mais justa e solidária.

Em suma, a amizade social, como proposta pelo Papa Francisco, representa a base para a construção de uma sociedade fraterna e solidária, na qual o amor ao próximo e a valorização da vida humana são fundamentais. Ela nos convida a ampliar nosso círculo de compaixão e a agir em favor do bem comum e da promoção dos mais pobres. É um chamado à construção de uma cultura do diálogo, da reconciliação e da paz, atuando juntos em prol de uma fraternidade universal para superar conflitos culturais, econômicos e políticos.

A amizade social aponta um caminho para a construção de um mundo mais justo, solidário e humano.

 

Dom José Mário Scalon Angonese – Bispo Diocesano de Uruguaiana