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A dor de amar e perder

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Na caminhada de fé, precisamos aprender a escolher o Cristo como o verdadeiro Messias, segui-lo como mestre e adorá-lo como Senhor. Acolher o Cristo como o único Salvador é seguir um caminho de conversão que nos leva a aceitar que ele é a ressurreição e a vida para todos aqueles que nele creem. Isso exige que o pecado e a morte sejam tirados do nosso coração. Para tanto, é necessário cultivarmos um espírito de penitência, no qual o senso do pecado nos conduz à verdadeira liberdade dos filhos e filhas de Deus.

Cristo é para nós sinal de vida e de esperança: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim não morrerá para sempre” (Jo 11,25). A vitória do Senhor sobre a morte é profetizada por Lázaro de Betânia, que retorna à vida. É uma promessa para cada um de nós, uma verdadeira garantia de eternidade, que vai muito além das dificuldades do nosso tempo.

O cristão deve sempre temer a verdadeira morte, não aquela física, mas aquela do pecado, da qual a morte física é um símbolo. Ó Pai, “olha pelos teus filhos e filhas, mortos pela causa do pecado social, das injustiças, das guerras, da falta de assistência à saúde e pela indiferença – e com a força do teu Espírito, chamai-os à vida nova na tua casa”. As espirais do pecado sufocam a verdadeira vida em nós: somente Cristo pode fazer-nos sair dos nossos sepulcros, para termos novamente a vida em plenitude.

Quando nos abandonamos com confiança ao amor misericordioso de Deus, mesmo tendo consciência das nossas fragilidades humanas, podemos perceber que a luz divina ainda brilha no horizonte do nosso caminho. Enche-nos de esperança, revigora as nossas forças, e, mesmo cansados e, às vezes, abatidos e desanimados pelos acontecimentos presentes, não deixemos de caminhar, porque caminha conosco o Senhor da vida.

Jesus conhece as nossas dores e os nossos sofrimentos; experimentou-os na realidade humana e divina, vivida com o povo de Deus a caminho da casa do Pai. O seu poder não é aquele separado, de um Deus distante, mas aquele cheio de amor, do Deus conosco. Verdadeiro homem como nós, ele chorou o amigo Lazaro; Deus e Senhor da vida, o chamou do sepulcro; e na realidade de hoje, também estende a toda humanidade a sua misericórdia, e com os seus sacramentos nos faz passar da morte à vida plena, que não conhece a dor, onde o amor e a ternura do Pai enxugarão as lágrimas de dor e aflição, que foram derramadas no peregrinar da vida.

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul