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A entrada de Jesus em Jerusalém

 

A humilde e solene entrada de Jesus em Jerusalém é um evento tão marcante na história da redenção que até hoje é celebrado no Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.

O Evangelho de Marcos (Marcos 11,1-10), lido no início da Benção dos Ramos, nos traz uma descrição detalhada desses momentos cruciais, testemunhados pelo próprio evangelista quando ainda era jovem. Este Evangelho, escrito após a Ressurreição, é destinado às pessoas iluminadas pelo triunfo da Páscoa.

Jesus é apresentado como o Messias sofredor, conforme descrito na 1ª Leitura (Isaías 50,4-7), e o servo obediente que se entregou até a morte na cruz, conforme São Paulo nos ensina na 2ª Leitura (Filipenses 2,6-11).

Ao entrar em Jerusalém, Jesus não se apresenta como um rei com poder político-militar, mas como o rei messiânico montado em um jumentinho, cumprindo o que fora anunciado pelo profeta Zacarias (9,9). A multidão de discípulos o aclama devido aos milagres que testemunharam. Os fariseus, por outro lado, pedem a Jesus que repreenda seus discípulos, ao que Ele responde: “Se eles se calarem, as pedras clamarão!“.

De fato, no relato da Paixão, vamos escutar tantas coisas que se referem a Jesus. Toda a criação testemunha a grandeza de Jesus, no momento de sua crucificação. A terra treme, o sol perde sua luz e o dia se transforma em noite. Jesus, que humildemente entra montado em um jumentinho, é verdadeiramente o Senhor do Universo, e todas as criaturas se beneficiarão da sua Redenção.

Na última Ceia, Jesus expressa seu desejo ardente de celebrar a Páscoa com seus discípulos. Ele sabia que seria a última refeição antes de sua morte. Com uma paz profunda, Jesus já vive interiormente sua própria morte. Ele se entrega voluntariamente como prova máxima de seu amor por nós, morrendo na cruz após ter sido flagelado, coroado de espinhos e carregado com a pesada cruz sobre seus ombros feridos. No entanto, Ele também deseja estar conosco. Nesse ambiente íntimo e profundamente significativo, Jesus cumpre sua promessa feita durante o milagre da multiplicação dos pães. Ele oferece seu Corpo e seu Sangue como nosso alimento de vida eterna. Ele dá graças e nos revela o sentido de sua morte. Ele oferece sua vida pela humanidade. “Amou-nos até ao fim!”

Antes de entregar seu espírito, Jesus reza com tranquilidade e confiança filial: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!“. Ele perdoa aqueles que o matam, desculpando-os, e oferece o paraíso a todos, inclusive a um dos malfeitores com Ele crucificado. Ao testemunhar a maneira como Jesus morreu, o centurião romano faz um ato de fé exclamando: “Verdadeiramente, este Homem era o Filho de Deus“. É o triunfo completo do Amor. E para perpetuar esses atos de ternura e amor infinito até o fim dos tempos, Jesus já tinha ordenado aos Apóstolos e a seus sucessores: “Fazei isto em memória de mim!“.

É de extrema importância para nós a oportunidade de participar, ao menos a cada Domingo, da Santa Missa, onde podemos vivenciar a continuação desse mesmo amor misericordioso do Coração de Jesus. A Eucaristia nos faz experimentar o mistério pascal e se torna o centro da nossa fé.

Diante de tudo isso, precisamos refletir sobre como tem sido a nossa correspondência com Deus. Ele, sendo infinitamente sábio e poderoso, fez tudo o que pôde para nos revelar seu amor infinito. A paixão, morte, ressurreição e presença real de Jesus na Santíssima Eucaristia são manifestações vivas desse amor. Isso exige que correspondamos a esse amor com seriedade e aceitação. Somos chamados a viver sempre com Ele e para Ele, sendo instrumentos de salvação para que outros também possam descobrir e se apaixonar por esse amor. E como diz o ditado, “amor com amor se paga”. Nessa correspondência ao amor divino, encontraremos alegria na vida e garantiremos a felicidade eterna no Céu, para a qual todos fomos criados.

Que todos tenhamos uma Semana verdadeiramente santa. Especialmente pela concretização de nossa Quaresma, através do Sacramento da Penitência e da Reconciliação.

 

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen