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A Escola da Divina Misericórdia

Neste 2o Domingo da Páscoa, nos alegramos na celebração do Domingo da Divina Misericórdia.

Jesus enfatizou e demonstrou a importância da misericórdia ao longo de sua vida, particularmente em seus ensinamentos e ações públicas. Mais do que com palavras, Jesus demonstrou o que é a Misericórdia de Deus com suas atitudes.

Pendurado na cruz, Jesus Cristo obtém humildemente do Pai o perdão de nossos pecados e não se esquece de implorar que Ele perdoe também aqueles que o torturaram e o executaram, citando a ignorância em sua defesa. Apesar de seu sofrimento, ele estende misericórdia ao ladrão arrependido, que aguarda sua própria morte ao lado de Jesus e dele obtém a salvação. Tendo ressuscitado, generosamente concede este perdão àqueles que estão dispostos a aceitá-lo em suas vidas.

A bondade do Senhor é evidente, na concessão da paz a seus seguidores. Conforme relatado nas Escrituras, Jesus apareceu diante de seus discípulos no primeiro dia da semana, apesar das portas trancadas, e os cumprimentou com as palavras: “A paz esteja convosco”.

Os Apóstolos, escondidos no Cenáculo, não encontravam consolo e coragem, pois lhes faltava a presença de Jesus. Seu estado de desânimo refletia o dos dois discípulos em fuga para Emaús. No entanto, eles se reanimaram quando viram e se deram conta de que o Senhor havia ressuscitado.

Também para nós, cristãos de hoje, a ressurreição de Jesus nos faz compreender que a verdadeira felicidade não está no buscar as facilidades de uma vida horizontal, plana, sem a altura da vida em comunhão com Jesus. A promessa de alegria que o Senhor nos faz, ao contrário, consiste em alinhar-se com a sua vontade, adquirindo assim a verdadeira paz já nesta vida.

No Evangelho deste Domingo (João 20:19-31), uma mensagem poderosa nos é transmitida, quando o evangelista nos diz que as portas e janelas do lugar onde se encontravam os discípulos estavam fechadas. É uma expressão não simplesmente factual, mas simbólica. Representa o sentimento predominante entre os discípulos, um sentimento de desespero e desejo de se esconderem dos demais. As portas e janelas fechadas são uma tentativa de excluir-se do mundo. Contra todas as probabilidades humanas, Jesus supera essa realidade, esse medo, trazendo aos discípulos e à Igreja que nascia, uma nova condição de vida: com Jesus ressuscitado, somos chamados à abertura total ao mundo, para evangelizá-lo e levá-lo ao encontro de Jesus, que está vivo.

No meio da realidade da morte de Jesus, eles buscaram esconder-se na cidade, tomando todas as precauções para fugir dos judeus. A cidade fervilhava de medo, incerteza e inquietação, não deixando nenhum espaço para a paz.

No encontro com Jesus Ressuscitado, os apóstolos são presenteados com um dom, o dom da Paz. Combinado a este dom, Jesus estende o perdão dos pecados a todos, dizendo, após soprar sobre eles: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.

Aprendamos também, no Domingo da Misericórdia, que a misericórdia divina depende da conversão pessoal, um esforço sincero para transformar a própria vida. Rejeitar esta condição de luta equivale a rejeitar a misericórdia do Senhor. O filho pródigo é um excelente exemplo de alguém que conseguiu virar uma nova página, enquanto o rico avarento é rejeitado por Deus, por não ter evitado possuir um coração indiferente ao sofrimento dos outros.

A conversão envolve abandonar o caminho anterior e voltar-se para Deus. Requer um compromisso constante com a perseverança e a luta, independentemente dos desafios que possam surgir. Com uma determinação resoluta e incansável, que se une à Graça que Deus sempre nos oferece, pode-se começar de novo nesta luta pela santidade.

Peçamos a Deus, rico em misericórdia, que nos ajude sempre a nos manter firmes em nossa confiança na infinita Misericórdia do Senhor, pois Ele sempre nos perdoa e nos abraça com amor.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen