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A experiência do Encontro que transforma

 

Minha saudação a todos os irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. A Quaresma convoca-nos à conversão, à mudança de vida e a tomarmos firmemente o caminho do seguimento a Jesus Cristo. A Campanha da Fraternidade apresenta-se como um suporte no caminho de conversão quaresmal. Neste ano de 2024 o tema da Campanha da Fraternidade é “Fraternidade e Amizade Social” e tem como lema: “Vós sois todos irmãos e irmãs” (cf. Mt 23,8). Um olhar para a dimensão de nossos relacionamentos humanos.

Prezados irmãos e irmãs. A Primeira Leitura deste Domingo retoma a vida de Abraão e Sara. Eles eram pobres, de idade avançada e viviam numa situação muito complexa. Sara era estéril. Eles eram o retrato do povo de seu tempo. Deus os chamou para saírem de sua esterilidade e caminhar para uma vida fecunda, ou seja, “pais de um grande povo” e serem sinal de bênção. Depois de uma longa caminhada, de altos e baixos, tiveram um filho, o filho da promessa, ao qual deram o nome de Isaac. Porém, quando tudo parecia estar garantido, seguro, Deus solicitou que Abraão sacrificasse seu filho, que tanto amava: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, e oferece-o em holocausto” (Gn 22,2). A pergunta que devemos fazer é: Que sentido tem esse pedido de Deus a Abraão? O que significa sacrificar o filho Isaac? Isaac era o filho único, o filho da velhice, o fruto mais puro do amor de Abraão e Sara. Sacrificar Isaac significava oferecer a Deus o melhor. Somente quem ama infinitamente pode oferecer a Deus o amor maior. Cada um de nós tem um “isaac” dentro de si. Fé é compreender qual é esse “isaac” e ser capaz de oferecê-lo a Deus.

Já o texto do Evangelho deste domingo (Mc 9,2-10) faz um convite para “subirmos o monte”, “com Jesus”, para “ouvir sua Palavra”. Assim, como ocorreu com Abraão e Sara, que ouviram a Palavra de Deus e a acolheram, Pedro, Tiago e João foram convidados por Jesus para irem num “lugar à parte”, a uma “alta montanha”. Para o povo da Bíblia, a montanha sempre foi o lugar onde Deus se revelou. Foi no monte Sinai que Deus entregou a Moisés a sua Lei, os “Dez Mandamentos”. Foi lá, também, que Deus se revelou a Elias na “brisa suave”. Lá no monte, depois de uma longa conversa com Pedro, Tiago e João, Jesus “transfigurou-se diante deles” (Mc 9,2). O texto bíblico diz que “suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar” (Mc 9,3). Por um lado, são imagens da ressurreição de Jesus. Por outro, quer dizer que eles fizeram, com Jesus, uma experiência profunda de Deus, que mudou o seu olhar, a sua compreensão a respeito do próprio Jesus e de seu ministério. É o encontro profundo com Deus que muda e converte as pessoas, que as faz ver a vida e a missão de forma mais clara e convincente.

Jesus já havia dito aos discípulos que ele “não veio abolir a Lei e os Profetas, mas veio para dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17). Moisés e Elias, que respectivamente representam a Lei e os Profetas, falaram com Deus no monte Sinai. O texto do Evangelho descreve que eles estavam no monte, “conversando com Jesus”. Significa que Jesus fez Pedro, Tiago e João compreenderem que, por meio de seu ministério, ele era o novo Moisés, isto é, o libertador por excelência, e o novo Elias, ou seja, o verdadeiro profeta, “aquele que devia vir” (Dt 18,15).

Caríssimos irmãos e irmãs. Na transfiguração, Jesus foi apresentado como o “Filho amado do Pai” e os discípulos foram convidados a “escutar o que ele diz” (Mc 9, 7). “Escutar o que ele diz” significa estar sempre aberto à sua Palavra e sua proposta de vida. Diante dos discípulos medrosos, Jesus disse a mesma palavra que Deus havia dito outrora a Abraão e Sara, em Gênesis 13,17: “Levantai-vos e não tenhais medo”. O encontro com Deus, com o Cristo Ressuscitado nos tira da acomodação, nos faz sair das nossas tendas, nos encoraja e nos envia a descer do monte para transfigurar a sociedade, construindo relações de diálogo, de fraternidade e de paz.

Que este tempo quaresmal seja uma oportunidade para subirmos a montanha com Jesus e fazer a experiência do encontro que transforma e redireciona nossa vida com um olhar mais profundo sobre a verdade de nossa própria vida e um olhar mais atento ao nosso redor, a fim de percebermos as necessidades de nossos irmãos e irmãs, conforme nos apresenta a reflexão da Campanha da Fraternidade deste ano.

Deus abençoe a todos e bom domingo!

 

Dom Adimir Antonio Mazali – Bispo Diocesano de Erexim