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A nossa fé na ressurreição!

 

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Percorremos o tempo da Quaresma refletindo sobre o tema proposto pela Campanha da Fraternidade: “Fraternidade e amizade social”; tendo presente o lema: “Vós sois todos irmãos e irmãs” (cf. Mt 23,18). Creio que foi extremamente oportuno e “inspirado” termos refletido, como Igreja, comunidade de fé, sobre a realidade da sociedade brasileira, onde o espírito de fraternidade e convivência social foi cedendo espação à cultura do ódio, que acentua as divisões nas famílias e nas comunidades.

O processo de conscientização para fortalecermos uma cultura marcada pelo espírito de fraternidade não termina com as celebrações da Semana Santa, ricas em conteúdo e espiritualidade, que nos fazem retornar ao caminho do amor misericordioso do Pai, manifestado por Jesus, através da instituição do sacerdócio e da Eucaristia, e revivido de forma intensa pelo nosso povo através da paixão do Senhor.

A dor da violência, da indiferença e da omissão, infligida ao Cordeiro de Deus, continua muito presente na nossa realidade social. Penso que muitos gostariam que a missão do Senhor tivesse seu grande final com a Sexta Feira da Paixão, quando “o Verbo que se fez Palavra, fez silêncio”. E, com sua morte, o silêncio da justiça reinasse soberano sobre a terra, assim não alimentaria o amor, a esperança, a busca de dignidade daqueles que estendem a mão a quem está à beira do caminho, ou tem o coração ferido pela perda de forma brutal e absurda de alguém que amava, que era presente de Deus, presença de vida.

No silêncio do sábado santo, fomos convidados a entrar no repouso de Deus (Hb 4,9), no silêncio de Deus, no vazio de Deus, de onde cada coisa toma vida, até mesmo a morte. A ressurreição, a esperança de uma vida nova e do renovar-se continuamente na vida, parece depender da nossa capacidade em aceitar, depois dos momentos mais difíceis da nossa existência, que uma “pedra” (Jo 11,41; 20,1) nos separe de tudo e de todos, na espera do grande acordar, que é a ressurreição, como insurreição da vida, dom de Deus, contra todo atentado de morte.

Na caminhada de filhos e filhas para a casa do Pai, podemos ter sempre aquela esperança, de que o sono da morte não conhece a eternidade, porque a eternidade, Deus reservou para a vida, através da ressurreição, da qual o Senhor Jesus nos dá testemunho, de que vive e é luz a iluminar a nossa vida.

Desejo a todos uma Feliz e Santa Páscoa.

 

 Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul