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A Oração do Rosário

Outubro é o mês do Rosário e no dia 7, celebramos a festa de Nossa Senhora do Rosário. A palavra rosário significa “grinalda de rosas”. É uma devoção dedicada à Mãe de Jesus, através da repetição 150 vezes da oração da Ave-Maria. O número 150 corresponde aos 150 salmos contidos na Bíblia. Há muitos séculos, a Igreja convida os fiéis a recitarem cânticos e salmos desde o nascer do sol até o ocaso. Isso é feito especialmente nos mosteiros espalhados pelo mundo.

Na Idade Média, contudo, se constatou que muitos cristãos eram analfabetos e, por isso, ficavam privados dessa prática orante.  Para atender à necessidade de oração dos iletrados, São Domingos de Gusmão aprimorou um método de oração que consistiu no atual Rosário. São 150 Ave-Marias intercaladas entre Pais-Nossos e Glórias ao Pai. A cada dezena medita-se um mistério da vida de Cristo.  Apesar da ênfase mariana, a Igreja sempre afirmou o caráter cristocêntrico dessa oração.

Em nosso meio estamos mais habituados ao terço: uma terça parte do Rosário, apenas 50 Ave-Marias. A repetição das Ave-Marias transporta o cristão para meditar e aprofundar o significado determinante dos eventos vividos por Jesus Cristo e sua mãe que transformaram a história humana e possibilitaram a salvação da humanidade. O Rosário ajuda-nos a crescer nessa conformação até a meta de santidade.

Essa dimensão cristológica do Rosário aparece na meditação dos mistérios da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. São três conjuntos de mistérios: os gozosos, chamados também “da alegria”, que refletem cinco passagens da infância de Cristo. Os mistérios dolorosos, ou “da agonia”, refletem cinco passagens da paixão e morte de Cristo, e os mistérios gloriosos que contemplam a ressurreição de Cristo até a coroação de Maria na Glória.

Em 2002, contudo, por meio da Carta Rosarium Virginis Mariae, São João Paulo II propôs uma alteração significativa, e o Rosário passou a conter 200 Ave-Marias. Ocorreu, então, a inserção de cinco novos mistérios na estrutura do Rosário. Para reforçar o aspecto cristológico do Rosário, João Paulo II fez uma inserção que permite abraçar também os “mistérios da vida pública de Cristo entre o Batismo e a Paixão. Chamou-os de “mistérios da luz”, mistérios luminosos”. São cinco momentos significativos dessa fase da vida de Cristo, que o Papa propõe à meditação cristã: 1o) no seu Batismo no Jordão; 2o) na sua autorrevelação nas bodas de Caná; 3o) no seu anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão; 4o) na sua Transfiguração; e, enfim, 5o) na Instituição da Eucaristia, expressão sacramental do mistério pascal.

Na segunda-feira e no sábado, recitam-se os mistérios gozosos, na terça e na sexta-feira contemplam-se os mistérios dolorosos, nas quartas e domingos rezam-se os mistérios gloriosos e, nas quintas-feiras, reza-se, a partir de 2002, os mistérios luminosos.

São João Paulo II, na referida Carta, também adverte acerca do risco de rezar o Rosário de uma forma vazia e automática: “Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma, e sua recitação corre o perigo de se tornar uma repetição mecânica de fórmulas e de vir a achar-se em contradição com a advertência de Jesus: Na oração não multipliqueis as palavras como os gentios” (Mt 6, 7).

Pode-se objetar que o Rosário parece uma oração pouco adaptada ao gosto de crianças e jovens de hoje, mas a objeção parte, talvez, da forma muitas vezes pouco cuidada de rezá-lo. Ora, ressalvada sua estrutura fundamental, nada impede que a recitação do Rosário por crianças e jovens, tanto em família como em grupos, seja enriquecida com atrativos simbólicos e práticos, que favoreçam sua compreensão e valorização.

Por que não tentar?

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria