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A origem de Jesus

Artigos 16/12/2022

O natal está se aproximando e o quarto domingo do Advento ajuda a meditar sobre a origem de Jesus, como chegou a nós e quem colaborou nestes fatos. O personagem central sem dúvida é Jesus, mas também é preciso destacar as pessoas que se colocaram à disposição de Deus para realizar o seu plano de salvação.

O evangelista Mateus narra o anúncio do nascimento de Jesus a José, enquanto Lucas refere o anúncio a Maria. São anúncios que não são contraditórios, mas alternativos ou, até mesmo, complementares. Neste domingo é Mateus 1,28-24 que servirá de fonte. A origem de Jesus é situado dentro de uma genealogia e de uma vida familiar. Enquanto a genealogia insere Jesus no tecido histórico do seu povo, o ambiente familiar insere Jesus na primeira célula da sociedade. Esta família nasce da livre aceitação de Maria e de José constituírem um casal e, depois, aceitarem se inserir no misterioso plano de Deus.

A narração de Mateus coloca no início o nome de Jesus Cristo deixando claro que Ele é o personagem central e vai direcionar a vida de José e Maria que, como planetas giram em torno do sol, refletindo a luz recebida. A narração responde à pergunta como se deu “a origem de Jesus Cristo”. Uma origem que difere da origem dos humanos, mas que está situado num ambiente humano, histórico, cultural e religioso.

Diz Mateus que Maria estava prometida em casamento a José. O casamento dos judeus, naquela época, acontecia em dois momentos distintos: o noivado, que durava um ano; seguido depois pelo casamento. O contrato era assinado já no primeiro momento, mas permaneciam morando na casa dos pais. Após um ano era celebrado solenemente o matrimônio com uma festa, que podia durar alguns dias. A partir deste dia o casal coabitava. A situação matrimonial de Maria e José estava na primeira etapa.

A José é revelado que Maria estava “grávida pela ação do Espírito Santo”. Uma gravidez sem a participação masculina. Situação que gera constrangimento, levanta questionamentos, incertezas e inquietações. O anjo diz a José: “não tenhas medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”.

Continua Mateus narrando que José aceita receber Maria em sua casa. Aceita conscientemente sabendo da situação formando a família de Nazaré. Aos olhos dos outros, não percebem nada de extraordinário naquele casal e naquela situação. José acolhe Maria e adota o filho de Maria que foi gerado misteriosamente pelo Espírito Santo. Ao dar o nome ao menino, também revela a missão dele: “Emanuel, que significa: Deus está conosco”. A vida de José e de Maria foi determinada por Jesus. Eles modificam a sua situação inicial e orientam a sua existência a partir de Jesus. José será pai adotivo e Maria será mãe e genitora.

Os relatos bíblicos da origem de Jesus Cristo revelam a sua natureza divina e humana: é Filho de Deus e filho de Maria. Este acontecimento de salvação foi possível pela efetiva colaboração de José e Maria. Ambos foram envolvidos no plano misterioso de Deus e aderiram devido a fé. Deixaram-se conduzir pelas palavras a eles dirigidas mesmo que, humanamente, houvesse mais perguntas que certezas. Os sinais recebidos foram suficientes para convencê-los e assim abrirem mão dos seus projetos, sonhos e certezas que os manteriam somente no nível humano. A fé os fez ingressar nos caminhos misteriosos e luminosos de Deus.

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo