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A Palavra que ensina, purifica e transfigura!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Como Povo de Deus, a caminho da casa do Pai, podemos alimentar a nossa vida de fé com o pão da Palavra de Deus, através das Sagradas Escrituras. O Livro da Bíblia, nos seus textos, traz em si a voz do homem que invoca Deus, e a voz de Deus que o chama à salvação e à comunhão com a mesma vida divina.

Para os estudos e as reflexões sobre o “Mês da Bíblia”, no mês de setembro, para este ano de 2023, foi escolhida a Carta aos Efésios, com a inspiração: “Vestir-se da nova humanidade! (cf. Ef 4,24)”. Mas quando lemos as Sagradas Escrituras, devemos ter presente que ela entrelaça em si história e eternidade. Ela é a narração viva e eficaz de um encontro e de um diálogo entre o Criador e Senhor e a sua criatura. Por isso, é importante ter presente, quando nos aproximamos do texto da Sagrada Escritura, através da leitura ou como ouvintes, que a palavra e a ação divina não são suspensas nos céus míticos e místicos, mas são envolvidas na trama, muitas vezes atormentada e difícil, dos acontecimentos humanos, que envolveram e envolvem o povo de Deus. Ela nos revela que Deus se faz presente, é paciente e conduz o seu povo, progressivamente, num caminho de conversão, onde ele pode conhecer e praticar a lei do amor e do perdão. Em suas páginas encontra-se também uma voz que inquieta e que julga, que purifica e transfigura.

O cristão, no cultivo da sua vida de fé, é convidado a criar uma familiaridade progressiva com a Palavra de Deus. Ler, não para vangloriar-se, mas para interiorizá-la no seu coração, como um programa de vida, de crescimento espiritual, que gera comunhão com o Senhor, e o leve a uma relação sempre mais íntima e profunda com a Palavra de Deus e os irmãos na comunidade.

No peregrinar da vida, podemos nos contentar em ouvir a Palavra de Deus. Mas também podemos dar um passo a mais, passando do “ouvir” ao “escutar”. Acolhendo-a no “coração”, para que possa frutificar, através do nosso modo de agir como cristãos, chamados a ser “sal da terra e luz do mundo” na sociedade onde vivemos. Portanto, é essencial, antes de tudo, a interiorização da Palavra de Deus pelo cristão. Não pode existir cristão comprometido com a causa do Reino sem antes “assimilar” a Palavra. Às vezes, o que o Senhor nos pede através da sua Palavra pode parecer muito difícil de realizar. Isso não deve nos assustar, muito menos nos acomodar. Também os profetas do Antigo Testamento e os discípulos de Jesus sentiram dificuldade em abraçar a vocação e a missão. Precisaram primeiro aprender a “escutar” a voz do Senhor, para criar intimidade e interiorizar a Palavra de Deus no coração.

Mas, para que a Palavra de Deus se torne realmente uma fonte de vida espiritual, é preciso que mantenhamos um contato íntimo e constante com os Livros Sagrados, através da leitura assídua, do estudo, da escuta e da meditação. Meditação acompanhada do silêncio, quando se pode aprofundar um diálogo mais intenso com o Senhor e degustar a sua Palavra, como alimento espiritual da nossa vida.

O Papa Bento XVI, num de seus discursos afirma: “no silêncio escutamos e conhecemos melhor a nós mesmos, nasce e se interioriza o pensamento, compreendemos com maior clareza aquilo que desejamos dizer… Se Deus fala aos homens também no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegarmos ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora…”.

 Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul