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A peregrinação da vida

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A Igreja, Povo de Deus a caminho da casa do Pai, nos convida a celebrar a Festa de Todos os Santos. Os santos são as testemunhas luminosas que encontraram o mistério da luz, que nós, na peregrinação da vida, podemos perceber, mas não no seu total esplendor. Os santos são aqueles que passaram pelas provações da vida e continuaram o caminho, levando no coração a confiança na misericórdia do Pai, mesmo diante das incompreensões e perseguições.

Na peregrinação da nossa existência terrena, somos continuamente provados, porque muitas vezes temos o coração ferido naquilo que é mais sagrado, “o dom da vida”. Precisamos continuamente aprender a lidar com as perdas que nos ferem no corpo e na alma. Perder uma pessoa que amamos, que faz parte da nossa vida, dos nossos sonhos e dos projetos que construímos juntos, é uma dor que toca a nossa realidade humana e divina. A morte é sempre uma perda que causa uma ferida no coração, que o tempo nem sempre cicatriza.

Na nossa existência, marcada pela brevidade da vida e pela certeza da morte, somos também levados a refletir sobre o sentido da vida, onde tudo é provisório e nada vivido plenamente. E, ao mesmo tempo, sobre o mistério da morte, pois esta nos abre à oportunidade de vivermos na dimensão infinita de Deus. Na morte, caem todos os limites da nossa condição terrena, para sermos libertados definitivamente, na totalidade das nossas experiencias, levando conosco a nossa história, que reencontraremos em Deus.

A morte, portanto, não é para nós o final, mas o meio pelo qual alcançamos a nossa meta: a vida na sua plenitude. Pelo testemunho dos apóstolos e pela fé, os cristãos sabem que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos e não morre mais. Portanto, a morte não é o êxito final da nossa existência, mas apenas uma passagem. Jesus passou deste mundo ao Pai e mantem aberta esta passagem, dando a todos nós a oportunidade de ascendermos à vida divina. Mas, para ascendermos à vida divina, devemos nos separar do mundo criado. Devemos compreender que existe em nós uma vida, não somente biológica, mas pessoal, que vai além dos limites desta existência e deve atingir a sua plenitude.

Ser cristão, ter fé, não significa fazer parte de um grupo que está imune às provações da vida e aos aspectos misteriosos da morte ou do sofrimento, e à separação que essa provoca. Ser cristão é acreditar na ressurreição, é viver na certeza de que existe uma vida, um encontro, uma esperança para nós e para os nossos entes queridos. É levar no coração a esperança de um dia poder estar na casa do Pai, participando do banquete na sua glória. 

Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul