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A resposta ao convite do Senhor

Na 1ª Leitura deste Domingo (Gênesis 12,1-4a), ouvimos como Deus convidou Abraão a deixar a sua terra e ir para lugares desconhecidos.

A Promessa de Deus é grande, porém exigia de Abraão uma confiança ilimitada no Senhor. Para Abraão, a única realidade que importava era confiar em Deus e na Promessa feita: “Farei de ti um grande povo e te abençoarei…”. Confiante, ele parte, deixando tudo para trás. Pouco a pouco, Deus foi-lhe revelando os passos que devia dar.

Em um tempo em que muitas vezes somos também nós convidados a deixar o nosso ambiente normal, nosso mundo individualista, para nos lançarmos às novas e desafiadoras circunstâncias da vida, cada um deve considerar que esta situação é também um convite de Deus, não para nos fecharmos em nosso egoismo, ou nos entregarmos ao desânimo e à tristeza, mas para termos a coragem de renunciar a certas atitudes, de certos modos de pensar e de viver, certos hábitos ou costumes, mesmo que sejam tão prevalentes em nossa sociedade e confiar em Deus.

Qualquer mudança em nossa vida é sempre difícil, mas procuremos ver o quanto Deus nos promete se formos fiéis à sua vontade, sabendo acolher com amor as propostas de Deus que visam sempre o nosso bem.

Só Deus, através do seu Filho Jesus, pode iluminar-nos no caminho da vida, assim como fez com Abraão. Neste Domingo, na escuta do Evangelho da Transfiguração de Jesus (Mateus 17,1-9), somos convidados a perguntar sobre o que isso significa para nós.

O evangelista quer nos levar a entender quem realmente é Jesus. Por isso recorreu a números e símbolos que eram bem conhecidos por aqueles a quem dirigiu o Evangelho.

Se olharmos bem, quando Jesus queria dizer ou fazer algo importante, ele sempre subia a uma montanha. Foi isso que Moisés fez quando recebeu a revelação de Deus, que depois comunicou ao povo.

São Mateus quer nos apresentar Jesus como o novo Moisés e como novo Elias, aquele que revela o novo homem, não mais dominado pelo pecado, mas cheio da graça de Deus. Jesus, acompanhado de três discípulos, recebe a nova Lei da salvação, a Revelação final de Deus. Daí o semblante radiante de Jesus e suas vestes luminosas, rodeado de nuvens e a voz do céu que diz: “Este é o meu Filho amado. Escutai-o!“.

Aqui está a resposta à questão fundamental: na Quaresma, somos chamados a prestar muita atenção ao que Jesus Mestre têm a nos dizer.

Na 2a Leitura (2 Timóteo 1.8-10), o apóstolo São Paulo nos recorda a vocação para a qual fomos chamados, como cristãos. Viver a fé no dia a dia torna-se para todos os cristãos um risco. Ter e viver da fé, em nossos dias, traz consigo as consequências de muito trabalho e de muito sofrimento. Estas dificuldades não devem nos desanimar. Jesus veio para destruir a morte e fazer brilhar em nós a vida divina.

Ao longo deste tempo litúrgico, Jesus nos mostrará o caminho que devemos percorrer em toda a nossa vida, para não desanimarmos diante das dificuldades do caminho.

Vivamos com generosidade este tempo da Quaresma, lembrando-nos sempre do cuidado que devemos ter especialmente para com aqueles que mais necessitam de nossa atenção, especialmente aqueles atingidos pela chaga social da fome.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen