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A Sabedoria que vem de Deus

A 1a Leitura da Santa Missa deste Domingo, é tirada do Livro da Sabedoria (Sabedoria 6,12-16) e nos apresenta a Sabedoria de Deus como um farol que ilumina o caminho da verdade e da autenticidade. As palavras divinas nos desafiam a buscar a sabedoria genuína, aquela que nos revela o sentido da vida e nos leva a uma autêntica conexão de vida com Deus.

Nossas almas anseiam por essa sabedoria, como um solo ressequido anseia pela água. Ela não se restringe a complexos conceitos intelectuais, mas é acessível a todos, especialmente aos humildes. Essa sabedoria nos leva a uma unidade de vida que se baseia na paz e no conhecimento prático de Deus, das pessoas e de todos os mistérios que compõem a existência. Ela nos impulsiona a atitudes únicas, essenciais e intransferíveis, pois cada pessoa tem uma missão e uma resposta que lhe são exclusivas. Cada um de nós é chamado a adquirir esta sabedoria divina, que nos proporcionará uma vida intensa de fidelidade a Deus neste mundo.

A Sabedoria da Ressurreição é o núcleo dessa busca por sabedoria. Ela se encontra em Cristo Morto e Ressuscitado, como São Paulo proclama na 2a Leitura de hoje: “Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé — de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte.”. A morte e ressurreição de Cristo oferecem a resposta definitiva para nossa busca e esperança. Em Cristo, nós também participaremos plenamente do Mistério de sua Morte e Ressurreição. Vivenciar o mistério pascal de Cristo deve ser nosso estilo de vida, entregando-nos em fidelidade e confiança, sem deixar que o azeite do amor se esgote.

Essa ressurreição é dinâmica e já presente, uma espera ativa e amorosa, mesmo nas dificuldades e cansaços.  Conforme São Paulo ensina, assim como acreditamos na morte e ressurreição de Jesus, confiamos que Deus nos levará com Ele, para a vida eterna.

No Evangelho (Mateus 25,1-13), somos confrontados com a alegria do Reino dos céus, um banquete sem fim que está ao nosso alcance. No entanto, também somos lembrados de nossa responsabilidade e da necessidade de mantermos nosso compromisso com autenticidade. A hipocrisia e as aparências não podem ocultar nossa verdadeira essência, pois Deus vê além do exterior.

É como as virgens prudentes e as insensatas: algumas mantêm suas lâmpadas acesas, enquanto outras as deixam se apagar. É um chamado à autenticidade, à fidelidade e ao amor, que não pode ser comprado nem vendido. O azeite pessoal que mantém a chama viva representa a decisão de liberdade, a responsabilidade pessoal e a adesão incondicional à proposta de Deus.

Mesmo quando o Noivo tarda em vir, devemos permanecer vigilantes, preparados para o encontro com Ele. O amor e a fidelidade são nossos guias nesse caminho, e, como prometido, receberemos a coroa de glória ao fim da jornada.

Em meio às desistências e indiferenças de tantos, a parábola das virgens prudentes e insensatas ecoa como um lembrete da importância da prática do amor e da misericórdia. Pois, no final, seremos julgados pelo amor, conforme nos recorda São Mateus. É a sabedoria da vida que encontramos na busca constante por Deus, na fidelidade ao amor de serviço aos irmãos e na autenticidade de nosso compromisso de batizados.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen