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A salvação é passagem das trevas para a Luz

Os profetas do Antigo Testamento anunciam coisas maravilhosas que haveriam de acontecer quando o Messias viesse ao mundo salvar-nos.

Jesus Cristo veio ao mundo há mais de dois mil anos e continuamos com insegurança, falta de paz, injustiças e perseguições aos cristãos, de tal modo que nos sentimos estrangeiros na própria terra.

Que nos falta ainda, para que se cumpram as promessas de Deus, prometendo um mundo melhor?

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz”, nos diz a 1a Leitura (Isaías 8,23-9,3). Muitas vezes, no Antigo e no Novo Testamento, a salvação é apresentada como a passagem das trevas para luz. O Senhor fala-nos uma linguagem tirada da nossa vida de cada dia, para que o possamos compreender. São João diz-nos que o Verbo é a Luz verdadeira que veio a este mundo para dissipar as trevas do erro e da mentira. Jesus mesmo, referindo-se à sua presença neste mundo, anima-nos a caminhar enquanto temos luz. O demônio é chamado «o príncipe das trevas».

Nós também falamos frequentemente da Luz da Fé. No entanto, a nossa tentação é preferir as trevas à luz. Há pessoas que preferem viver na ignorância religiosa e fogem de qualquer meio de formação «para – como dizem – não terem responsabilidades». É uma atitude irresponsável e perigosa, como a da pessoa que não se quer ver ao espelho nem andar em plena luz do dia, para não verificar como está suja e malvestida. O doente, pelo fato de não querer saber qual doença tem, fica curado. É verdade que quando uma pessoa sabe que está enferma, tem de alterar os seus hábitos e aceitar restrições e incômodos para se curar. Mas vale a pena.

No Evangelho (Mateus 4,12-23), vamos ouvir como saiu Jesus de Nazaré onde trabalhara como carpinteiro até aos trinta anos, e mudou a residência para Cafarnaum – cidade à beira do Mar da Galileia – dando princípio à Sua vida pública. É precisamente nesta praia que vai começar a escolha dos Apóstolos: Pedro e André, Tiago e João. São Mateus vê neste procedimento de Jesus a realização da profecia de Isaías, citada na 1a Leitura. A luz que brilha naquela região é o próprio Jesus, luz do mundo. O Senhor dirige-se aos menos considerados em Israel, para os evangelizar. A Galileia era considerada uma terra de infidelidade.

Quando Jesus Se mete na nossa vida e o deixamos entrar, a alegria toma conta de nós. O Senhor oferece-nos muitas oportunidades para esclarecermos as nossas dúvidas e alargarmos os nossos conhecimentos de doutrina. É preciso um esforço para as aproveitar, embora isto, eventualmente, possa exigir de nós algum sacrifício. É claro, não basta saber para ser virtuoso. Acolher a luz não exige apenas aprender umas quantas verdades, mas pôr em prática as suas exigências. “Desde então, Jesus começou a pregar: Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo”.

Na Sua pregação, o Senhor tem o cuidado de nos ensinar em que consiste a conversão pessoal a que nos chama. A nossa conversão começa pela adesão à pessoa de Jesus, a um encontro com o Senhor que é luz. Esta adesão precisa também atingir as ideias, a mente. Não é somente a resposta a um impulso sentimental. Deus, que nos criou com sensibilidade, inteligência e vontade, pede a entrega de todo o nosso ser.

 

É indispensável aprofundar a nossa formação doutrinal porque, quando não somos levados pela cabeça para Deus, ficamos num sentimentalismo estéril que não nos ajuda a mudar ou, pelo menos, a perseverar. Na vida cristã, não é suficiente a participação em um Encontro de final de semana, por exemplo, para obtermos qualidade em nossa vida cristã. O Encontro é um início, um “estalo” que precisa ser acompanhado depois de um autêntico caminho de crescimento na fé. É daí que vêm depois os propósitos firmes da vontade, para emendar algo que está mal. Também aqui pode haver ilusões da nossa parte que nos levam ao desânimo. Será preciso começar e recomeçar a luta espiritual muitas vezes, sem desanimar com as derrotas.

Façamos a nossa parte para sempre crescermos no caminho da vida cristã que nos faz seguir a Cristo com generosidade e dedicação.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen