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Bispos se reúnem virtualmente para reunião do Consep e recordam situação no RS

As consequências das chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul ganharam destaque no início da reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta terça-feira, 21. O encontro que reúne a Presidência da Conferência e os presidentes das Comissões Episcopais seria realizado na sede da entidade, em Brasília, mas foi transferido para a modalidade virtual para garantir a presença dos bispos da região junto aos seus fiéis.

O arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente do Regional Sul 3 da CNBB, dom Leomar Antônio Brustolin, não quis fazer um relato da tragédia que deixou praticamente todo o estado destruído, uma vez que os dados e acontecimentos já foram amplamente divulgados. Por outro lado, quis apresentar algumas percepções daquilo que é importante daqui para frente.

Para dom Leomar, não se pode apenas reconstruir o estado do Rio Grande do Sul, o que significaria cometer os mesmos erros. É necessário, no entanto, construir de uma nova forma. Uma insistência é que as autoridades escutem os especialistas nas diversas áreas para prevenir desastres futuros.

O arcebispo também partilhou que a situação no estado entra em nova fase com a diminuição do nível da água, pois surgirão desafios sérios relacionados à questão da saúde. À medida que as pessoas vão limpar suas casas ou transitam nas ruas, podem ter contato com urina de ratos, por exemplo, com o risco de desenvolver a leptospirose. Outras preocupações de dom Leomar são os crimes que ocorrem no contexto das enchentes e a politização da enchente, com políticos usando a tragédia em vista das eleições municipais.

O destaque de dom Leomar, no entanto, é para a solidariedade e para a proximidade de toda a Igreja no Brasil com o Rio Grande do Sul, nas ligações, mensagens e doações. “Nos sentimos abraçados e confortados. Muito obrigado”, agradeceu.

Dom Leomar ainda fez referências às coletas realizadas pelas dioceses, em especial as realizadas na região Amazônica.

Esperançar

Para o arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, a grande tarefa é “esperançar o nosso povo”. Mas há um testemunho que já é possível observar. “O que nossas comunidades estão fazendo, é algo extraordinário. O desejo de liberdade e a criatividade do povo gaúcho, testemunhamos nas bases”, afirmou, lembrando das inúmeras formas que podem ser percebidas no enfrentamento da crise.

Dom Jaime também fez uma observação sobre a forma como a questão climática é tratada na sociedade. “O que se vive é reflexo de algo que se vem debatendo há muito tempo, mas não com a seriedade necessária”, lamentou. E neste contexto, o arcebispo também percebe dificuldades do poder público em encontrar soluções e avaliar a própria atuação.

Também agradecido, dom Jaime destacou a proximidade do Brasil com o povo gaúcho.

Com informações da CNBB