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Caminho para a Páscoa: “Conversão e Amizade social”

 

Minha saudação a todos os irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Com a Quarta-feira de Cinzas iniciamos a Quaresma, tempo especial de penitência e conversão em preparação para a Páscoa. Neste dia, o profeta Joel dizia: “Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é bondoso e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar… Convocai a assembleia, congregai o povo” (Jl 2,12-13).

Prezados irmãos e irmãs. A Quaresma quer ser um tempo para voltarmo-nos a Deus. Por isso, neste tempo de Quaresma somos convidados a viver a palavra do Apóstolo Paulo, que na Quarta-feira de Cinzas dizia: “Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus […]. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6,2). Hoje é o dia que Deus nos concede para voltarmos a Ele.

A Quaresma é um tempo forte de penitência e de mudança de vida, em vista da celebração do Mistério Pascal de Cristo. A Quaresma encaminha-nos para a Páscoa. É o tempo em que somos despertados pela Palavra de Deus para vivermos os mesmos sentimentos e a prática de Jesus Cristo. Por isso, a Quaresma é uma feliz oportunidade para revisarmos nossa vida e avaliarmos nosso modo de pensar e de agir e nos colocarmos novamente no caminho de Jesus, que deu sua vida na cruz por nós.

Caríssimos irmãos e irmãs. Quaresma é tempo de reconciliação, de perdão, de voltar para Deus. A Quaresma é um convite para seguirmos Jesus Cristo através dos exercícios quaresmais: da esmola, da oração e do jejum. A esmola aponta para a prática da justiça e para a vivência pessoal da solidariedade com os mais necessitados. A oração aponta para o cultivo da fé e da comunhão com Deus, que é a fonte da vida. E o jejum aponta para o domínio de si mesmo, para o esvaziamento e autodomínio diante daquilo que não condiz com o plano de Deus e a sobriedade de vida. Jesus questionava a motivação dos fariseus diante de práticas piedosas. Para Jesus, nenhuma dessas práticas devia ser feita com o objetivo de autopromoção: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens só para serdes vistos por eles” (Mt 6,1).

Queridos irmãos e irmãs. Neste ano, a Igreja no Brasil, nos propõe a Campanha da Fraternidade com o tema: “Fraternidade e Amizade social”. E o lema é tomado do Evangelho de Mateus: “Vós sois todos irmãos e irmãs” (cf. Mt 23,8). Desta forma, convida-nos a refletir sobre as situações de inimizade que geram divisões, violência que destroem a dignidade dos filhos e filhas de Deus. Partindo do Evangelho, quer lembrar a importância das relações familiares baseadas no respeito e no compromisso do bem comum, abrindo-nos ao compromisso de lutarmos por uma vida comunitária e social baseada no amor, na amizade, na justiça e na fraternidade, pois, mais do que nunca, precisamos reconhecer que “somos todos irmãos e irmãs” (cf. Mt 23,8). “O Objetivo Geral desta Campanha é despertar o valor e a beleza da fraternidade humana, promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social, para que, em Jesus Cristo, a paz seja realidade entre todas as pessoas e povos” (Texto base, p. 7).

A Liturgia da Palavra deste 1º Domingo da Quaresma convida-nos a entrarmos neste espírito de conversão e a acreditar na possibilidade da renovação de nossa vida cristã. O Evangelho lembra que ao ser batizado por João Batista no Rio Jordão, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto. Ele foi lá para preparar-se para a missão de anunciar o Reino de Deus. O momento era muito conflitivo. João Batista tinha sido preso e Jesus foi tentado a abandonar a missão. Mas, com a força de Deus, diz o texto: – “os Anjos o serviam” –, ele venceu as tentações e retornou para a Galileia iniciando seu ministério, fazendo um grande anúncio: “Cumpriu-se o tempo, o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho”. Com sua presença, “cumpriu-se”, completou-se “o tempo” da salvação de Deus, pois Ele é a presença salvadora de Deus junto à humanidade. A conversão e a fé, em sua proposta, apresentam-se como o caminho a ser percorrido, nesta quaresma, em vista da construção de uma sociedade nova, sem violência, aberta ao diálogo e a construção de verdadeiras amizades, pois, somos, de fato, “todos irmãos e irmãs” (cf. Mt 23,8).

 

Dom Adimir Antonio Mazali – Bispo Diocesano de Erexim