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C’est La Confiane de Santa Terezinha

 

A Arquidiocese de Santa Maria recebe, entre os dias 02 e 04 de março, as relíquias de Santa Teresinha do Menino Jesus. A programação de acolhida possibilitará momentos de oração diante da urna com os restos mortais da Santa de Lisieux.  A visita acontece no contexto do aniversário de 150 anos de nascimento de Santa Teresinha, celebrado em 2023.

Teresinha é uma das santas mais conhecidas e amadas em todo o mundo. Como sucede com São Francisco de Assis, é amada até por não-cristãos e não-crentes. Foi também reconhecida pela UNESCO entre as figuras mais significativas para a humanidade contemporânea.

A sua vida terrena foi breve (apenas vinte e quatro anos) e simples como qualquer outra, passada primeiro em família e depois no Carmelo de Lisieux. A extraordinária carga de luz e amor, que irradiava da sua pessoa, manifestou-se logo depois da sua morte, com a publicação dos seus escritos e as graças inumeráveis obtidas pelos fiéis que a invocavam.

Recordo que quando visitei o Egito fiquei impressionado ao constatar que naquele país de minoria cristã, havia uma estação do metrô no Cairo com o nome da santa carmelita, bem próxima da igreja católica a ela dedicada, onde estão os carmelitas descalços residindo. Contaram-me que são raras as igrejas católicas de rito romano no Cairo e que a de Santa Terezinha é visitada até por mulheres muçulmanas que a ela recorrem, especialmente para pedir proteção para se tornarem mães.

Teresinha realça sempre o primado da ação de Deus, da sua graça. Assim chega a dizer: «Sinto sempre a mesma confiança audaciosa de me tornar uma grande Santa, pois não conto com os meus méritos, não tenho nenhum, mas espero n’Aquele que é a Virtude, a própria Santidade.

Por isso, a atitude mais adequada é depositar a confiança do coração fora de nós mesmos, ou seja, na infinita misericórdia de um Deus que ama sem limites e que deu tudo na Cruz de Jesus. Daí que Teresa nunca usa a expressão, frequente no seu tempo, «hei de fazer-me santa».

Teresa vive a caridade na pequenez, nas coisas mais simples da existência de cada dia, e fá-lo em companhia da Virgem Maria, aprendendo d’Ela que «amar é tudo dar, e dar-se a si mesmo». Com efeito, enquanto os pregadores do seu tempo falavam com frequência da grandeza de Maria de forma triunfalista, como se estivesse afastada de nós, Teresinha mostra, a partir do Evangelho, que Maria é a maior do Reino dos Céus porque é a mais pequena (cf. Mt 18, 4), a mais próxima de Jesus na sua humilhação.

Para melhor conhecer a Grande Terezinha de Lisieux, sugiro que se leia a Exortação Apostólica do Santo Padre Francisco C’est la confiance: sobre a confiança no Amor Misericordioso de Deus por ocasião do 150º aniversário do nascimento de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, publicada em 15 de outubro de 2023. Está disponível na internet.

 

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria e Presidente do Regional Sul