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Confiança inabalável em Deus

Na 1ª Leitura deste Domingo, tirada do Livro do Profeta Jeremias (Jeremias 20,10-13), o profeta se encontra dramaticamente sozinho pela sua fidelidade ao Senhor.

Dada a iminência da invasão de Nabucodonosor, o profeta procurou alertar o povo sobre os perigos de uma tendência perigosa: o sério risco de ser corrompido em sua fé, assim como tinha acontecido no Egito. O contato com esses povos pagãos sempre foi ocasião de que o Povo de Deus se deixasse influenciar pelos seus costumes, resultando na traição da Aliança com Deus.

Os interessados na nova política de contato com os pagãos, não se preocupavam com os riscos dos resultados religiosos negativos que poderiam ocorrer, e perseguiram Jeremias impiedosamente, tentaram matá-lo e calar sua voz. O Profeta foi jogado em um canal com lama até o pescoço, mas foi salvo da morte. Ou seja, o Senhor não o abandonou.

Aprendemos com este texto sagrado que nossa confiança deve estar sempre em Deus. No tempo da solidão humana, da perseguição e do sofrimento, o homem deve dirigir-se ao Senhor com total confiança. A nossa fé exige sempre a fidelidade ao Senhor, mesmo que isso nos coloque em perigo ou nos obrigue a perder prestígio e consideração humanas.

A atitude de Jeremias é também uma condenação daqueles que covardemente não tem a coragem de testemunharem sua fé e suas convicções, com medo de desagradar os demais. Quantos, hoje, escondem sua fé ou encobrem a verdade, para não passarem por dificuldades.

Mesmo diante da covardia de muitos, Deus nunca desiste do seu povo. Jeremias confia que o Senhor deixará que a sua inocência brilhe diante dos olhos do povo e de seus inimigos. Na verdade, os acontecimentos logo provariam que ele estava certo.

Porém, conhecemos as histórias de tantas pessoas, muitas delas verdadeiros santos, que partiram deste mundo sem ver a sua fama restaurada, após serem perseguidos e caluniados.

Nenhum de nós deve estar simplesmente interessado na sua vitória pessoal, mas sim na vitória da verdade, na vitória de Deus. De que adianta o louvor da humanidade para nós, se temos uma eternidade de bem-aventurança que nos espera? As palavras de São Paulo na 2a Leitura (Romanos 5:12-15) também podem ser aplicadas aqui: “Onde abundou o pecado, superabundou a graça”. Ou seja, onde abundou a perseguição, o mal, Deus fez superabundar a sua graça, o seu amor na vida daqueles que foram injustamente perseguidos.

Não tenhais medo!” Podemos lembrar com carinho como as primeiras palavras, na Homilia de São João Paulo II, na Praça de São Pedro, na Santa Missa do início de seu pontificado. Nossa missão de discípulos do Senhor, ao longo dos tempos, é a de proclamar publicamente e com coragem, a mensagem de salvação que recebemos. Uma a uma, Jesus remove as tímidas causas de nossas hesitações, de nosso medo no caminho.

O cuidado que precisamos ter é o de não cairmos nessa tentação de adotar uma atitude covarde em relação aos homens, para evitar dificuldades. Nem as perseguições, nem as calúnias, nem mesmo as ameaças de morte não deveriam nos assustar.

Quem nos persegue não pode nos privar da eternidade e da felicidade junto de Deus. Quanto ao resto, não faz diferença se alguém vai para o céu mais cedo ou mais tarde. “Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma.”, nos ensina Jesus no Evangelho deste Domingo (Mateus 10:26-33).

A única coisa que devemos temer é o pecado, a infidelidade à aliança que Deus fez conosco no Batismo.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen