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Cuidar da “casa comum”

Estimado irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A fé é uma decisão de estar com o Senhor, para viver com ele. E estar com ele nos leva a compreender as razões por que se crê. E a fé, por ser um ato de liberdade, exige também responsabilidade social do que se crê. Neste sentido, a profissão de fé é um ato pessoal e ao mesmo tempo comunitário. Portanto, o ato de fé professado no Creio, que se faz na Igreja, comunidade de fé, marcado pelo amor e a esperança, nas palavras do Evangelho anunciado pelo Senhor Jesus, é sinal do reconhecimento que reúne os chamados e convocados, pelo Deus Trino, na mesma Igreja.

Por isso, quando professamos nossa fé, assumimos um compromisso com a comunidade dos irmãos que participam da mesma Igreja. Portanto, a fé autêntica não pode ser vivida de forma individualista, sem ter presente a vida dos irmãos que fazem parte da comunidade. A comunidade cristã, para viver sua missão, deve manter viva a vida de comunhão, de fé e amor, fundada em Jesus Cristo e no Espírito Santo. Ao mesmo tempo, precisa alimentar a vida de fé, na Palavra de Deus e na Eucaristia. Uma comunidade fundada no Espírito, cujo primeiro fruto é precisamente o amor, não se fecha em si mesma, mas está aberta à missão, como Jesus fez depois do batismo.

Como cristãos, devemos estar comprometidos com a vida, em todos os sentidos, mas também com a “casa comum”, que abriga todas as formas de vida. Não podemos silenciar ou nos acomodar, acreditando que é suficiente acompanhar as notícias pelos Meios de Comunicação Social, que apontam as grandes agressões que sofrem a nossa “casa comum”. Se essas denúncias, que são muito válidas para uma conscientização global, não despertam em nós o agir na realidade local, é sinal de que estamos contaminados pelo comodismo e pela indiferença em relação ao cuidado da “casa comum”.

Podemos nos conformar, em lamentar os fatos que destroem a natureza e ferem a vida, mas podemos ter resistências no coração para tomar decisões que ajudam a cuidar da “casa comum”. Quando tomarmos pequenas atitudes que estão ao nosso alcance, que mudam o nosso modo de agir no dia-a-dia, o futuro da “casa comum” estará assegurado para as próximas gerações.

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Vamos nos conscientizar e participar dos grandes problemas que agridem a nossa “casa comum”, cuja solução a médio e longo prazo dependem de grandes decisões políticas e governamentais, mas vamos também agir, fazendo as pequenas coisas que dependem de nós e estão ao nosso alcance, para cuidar e melhorar a vida no dia-a-dia da “casa comum”, a mãe terra. Que os frutos da nossa fé no Cristo ressuscitado, possam ser abundantes para a nossa vida, as nossas comunidades e para toda a humanidade.

Dom José Gislon, OFMCap. –  Bispo Diocesano de Caxias do Sul