Em defesa da vida – 1

Mais uma vez o tema da descriminalização do aborto volta à cena. Nós celebramos em todo o Brasil, de 1 a 7 de outubro, a SEMANA NACIONAL DA VIDA e no 8 de outubro, o DIA DO NASCITURO. Será uma excelente oportunidade para nos posicionarmos em defesa da vida desde a concepção até seu fim natural. Também devemos nos posicionar sobre todas as formas de agressão à vida, de todo o ecossistema do planeta.

Vivemos tempos difíceis, que exigem muita atenção e oração de cada um de nós, para discernir quem somos chamados a ser e, sobretudo, quem não devemos ser. Como cristãos somos chamados a defender a vida humana, em especial dos mais fracos, dos pequenos e indefesos, dos que não podem chorar e nem gritar.

O Papa Francisco, na quinta-feira 21 de setembro, recebeu em audiência no Vaticano, Reitores de Universidades públicas e privadas da América Latina e do Caribe, sobre o tema “Organizar a esperança”. Os reitores perguntaram ao Papa sobre as questões do meio ambiente e do clima, ele respondeu falando da “cultura do descartável ou cultura do abandono”. Trata-se de “uma cultura de mau uso dos recursos naturais, que não acompanha a natureza em seu pleno desenvolvimento e não a deixa viver. Essa cultura do abandono prejudica a todos nós”.

Em sua reflexão, Francisco também anunciou o nome de sua próxima Exortação apostólica: Laudate Deum (Louvai a Deus), que será publicada no dia da festa de São Francisco de Assis, 4 de outubro. Ele disse: “É um olhar sobre o que aconteceu e dizer o que precisa ser feito”.

Falando da forma como o atual modelo de organização da sociedade humana trata a vida, da cultura do descarte, disse ele: “Os descartados, os marginalizados, são homens e mulheres, povos inteiros que deixamos na rua como lixo, não é mesmo? Devemos estar cientes de que só usamos a riqueza da natureza para pequenos grupos por meio de teorias socioeconômicas que não integram a natureza, os descartados”.

O Santo Padre insistiu na denúncia sobre a degradação da vida em todas as instâncias, disse: “há um processo de degradação ambiental, podemos dizer, em geral. Mas isso leva para baixo, para o fundo do barranco. Degradação das condições de vida, degradação dos valores que justificam essas condições de vida, (…) é evidente a falta de acesso às necessidades básicas, e daí derivam todas as visões que sociologicamente, de fato, sem nomeá-las, fazem das mulheres, dos povos indígenas, dos africanos, pessoas com menores capacidades”.

O Papa pediu aos reitores das universidades que promovam a educação aos valores humanos e cristãos ajudando os estudantes a desenvolverem sua vocação. “Não nos esqueçamos de que a vocação mais nobre da pessoa humana é a política. Vamos formar nossos jovens para serem políticos, no sentido mais amplo do termo”.

E, para concluir, lembremos que estamos na SEMANA NACIONAL DA VIDA, é uma questão de coerência vivencial da fé cristã proteger e defender a vida e combater todas as formas de agressão e desrespeito. Temos consciência do porquê viemos a este mundo, de quem somos e de quem não devemos ser?

Dom José Mário Scalon Angonese – Bispo Diocesano de Uruguaiana