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Epifania: a manifestação do Senhor ao mundo!

 

Minha saudação a todos os irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Celebramos neste domingo a Solenidade da Epifania do Senhor. A visita dos magos a Belém lembra que a Epifania é a manifestação de Jesus ao mundo, como o Senhor da história e o Salvador de toda a humanidade. Como diz o Apóstolo Paulo, na Carta aos Efésios, a Epifania lembra-nos: “Os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho” (Ef 3,5-6). Em Jesus, a salvação de Deus é dirigida a todos os povos.

Prezados irmãos e irmãs. Os magos vêm do Oriente. São pagãos. Não conhecem as Escrituras Sagradas, mas buscam a verdade e se põem a caminho para descobri-la. Guiados por uma estrela, a qual exprime as intuições mais puras e os anseios mais profundos da humanidade sedenta de paz, justiça e fraternidade, chegaram a Jerusalém em busca do “rei dos judeus que acabara de nascer”. Essa notícia não agradou a Herodes, pois ele havia sido designado pelo imperador romano para ser o “rei dos judeus”. Ao buscar informações, os sumos sacerdotes e escribas disseram a Herodes que o Messias deveria nascer em Belém (cf. Mq 5,1).

Desse modo, o texto do Evangelho de Mateus deixa claro que houve uma oposição a Jesus e seu projeto desde seu nascimento. Jesus, ao longo de sua vida e ministério, encontrou rejeição e hostilidade nos representantes do poder político e indiferença, resistência e oposição nos líderes religiosos. Somente os que buscam o Reino de Deus e sua justiça, acolhem-No e O adoram. Informados de que o “rei dos judeus” nasceria em Belém, os magos prosseguiram guiados pela estrela.  Ao chegarem a Belém, os magos: “Entraram na casa, viram o Menino, com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e O adoraram” (Mt 2,11).

Ademais, Herodes, que representava o mundo dos poderosos, mentia quando dizia que queria também adorar o menino. Sua verdadeira intenção era eliminar o Menino, conforme o texto de Mt 2,1. Os magos aparecem, portanto, num contexto conflitivo, no qual Jesus, recém-nascido, corria perigo de vida. Os Reis Magos, ao verem aquela criança, “ajoelharam-se diante do menino e o adoraram”. Trata-se de um gesto sublime. Inclinaram-se respeitosamente diante de sua dignidade. Descobriram o divino no humano.

Caros irmãos e irmãs. O que significa realmente adorar a Deus? Adorar a Deus é ser capaz de amar como o próprio Jesus amou. Ele mesmo disse na Última Ceia: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).

Assim sendo, os magos buscaram Jesus e o adoraram, entregando-lhe seus presentes, reconhecendo que só Aquele Menino-Deus é capaz de salvar. Descobriram que a salvação não vem pela ação violenta e nem pelos projetos dos poderosos. O gesto dos Reis Magos, diante do Menino de Belém, expressa uma atitude que deve ser tomada por todo aquele que crê. Para adorar a Deus é necessário sentir-se criatura infinitamente pequena diante Dele e profundamente amada por Ele. Adoração é expressão de Amor acima de tudo e de todos, ou seja, amor como entrega e abandonado total. Por isso, só Deus pode ser Adorado. Nem as coisas mais valiosas, nem as pessoas mais amadas são dignas de ser adoradas como Ele. Sendo assim, lembremos que só quem é livre interiormente pode adorar a Deus de verdade. Quem adora a Deus não compactua com nenhum projeto de morte, luta sempre contra tudo o que destrói o ser humano e o mundo criado por Deus. Os magos demonstraram isso quando não concordaram com o projeto de Herodes e retornaram para sua terra, por outro caminho.

Portanto, visitado e adorado pelos magos, Jesus é acolhido como o Salvador por todos aqueles que aderem à sua Pessoa e Seu Projeto. A Epifania é a revelação da bondade de Deus que deseja salvar a todos. Assim como os Magos do Oriente, ofereçamos ao Menino Jesus nossos presentes em ações de justiça, de solidariedade, de luta pela vida e de amor fraterno, para com todos os povos da terra.

Deus abençoe a todos, e bom domingo!

 

Dom Adimir Antonio Mazali – Bispo Diocesano de Erexim