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Esperança na Ressurreição

Minha saudação aos irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Chegamos ao 5º Domingo da Quaresma, etapa final de nossa preparação para a Páscoa, com desejo sincero de converter-nos à Pessoa de Jesus e à Proposta do Seu Evangelho. A liturgia deste domingo faz um convite para que possamos crer, mais firmemente, na Pessoa e na Proposta de Jesus, a fim de alcançarmos a Luz da Vida Plena, que o próprio Jesus nos traz pela Sua morte e gloriosa Ressurreição.

Prezados irmãos e irmãs. O povo de Israel, que vivia no exílio, estava em profunda crise de fé e com sérios problemas sociais. Estava como que mortos, sentia-se  com os “ossos secos”, um povo sem vida. Por isso diziam: “Nossos ossos estão secos, nossa esperança está desfeita. Para nós tudo está acabado” (Ez 37,11). Essa é, hoje, a realidade de muita gente, que passa por dificuldades, especialmente, problemas de saúde, da miséria e da fome, e não encontram saídas. A profecia de Ezequiel apresenta-se como palavra portadora de esperança, na qual o povo de Israel, exilado, devia confiar. Deus, por meio do profeta Ezequiel dizia-lhes: “Vou abrir as vossas sepulturas, vos farei sair delas e vos conduzirei para a terra de Israel. Porei em vós o meu espírito para que vivais” (Ez 37,12.14). A palavra do profeta, que fala em nome de Deus, é uma palavra vivificadora, que renova a esperança do povo exilado e sofredor. Confiar em Deus é ter a certeza de que não se está abandonado. Crer em Deus é também estar comprometido com a causa do Reino Dele, o qual exige iniciativas de solidariedade com os sofredores e desanimados.

Caríssimos irmãos e irmãs. Na passagem do Evangelho, deste domingo, sobre o relato da ressurreição de Lázaro, o sétimo sinal que Jesus realiza, narrado no Evangelho de João, aponta para uma realidade mais profunda: a vitória de Jesus sobre a morte e sua glorificação.

O texto do Evangelho diz que Jesus era muito amigo de Marta, de Maria e de Lázaro. Jesus estava exercendo seu ministério, quando mandaram dizer-lhe: “Senhor, aquele que amas está doente” (Jo 11,3). Isto faz ver que o amor gera confiança e solidariedade em situações difíceis. Quando Jesus chegou, Lázaro já estava sepultado havia quatro dias. Para a família, quatro dias depois da morte significava a perda total da esperança.

No diálogo com Marta, Jesus a convida a crescer na fé. Para Marta, teria sido necessário a presença física de Jesus para evitar a morte do irmão: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11,21). Jesus respondeu-lhe fazendo duas afirmações centrais: primeiro, em relação a seu irmão – “Teu irmão ressuscitará” (Jo 11,23); depois, em relação a si mesmo – “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?”. Disse, então, Marta: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo” (Jo 11,25-27).

Diante desta afirmação, Jesus mandou tirar a pedra que fechava o túmulo e mantinha Lázaro preso à morte: “Tirai a pedra” (Jo 11,39)! O túmulo representa a realidade de morte, na qual muitas pessoas estão presas. E a pedra que está sobre ele é tudo aquilo que prende as pessoas e não as deixa se libertar. Marta disse a Jesus que Lázaro, seu irmão, estava morto há quatro dias, na sepultura. Isso significa que ela não via outra coisa senão a realidade da morte. A Palavra de Jesus é imperativa, ordenando: “Lázaro, vem para fora!” (Jo 11,43) Aquele que se apresentou como a Ressurreição e a Vida é portador de uma palavra com uma força transformadora, tira da morte e restabelece a Vida. Além desta ordem a Lázaro, Jesus mandou que os que estavam com ele o desatassem e o deixassem caminhar (cf. Jo 11,44). Este apelo de Jesus é bem atual: tirar as pedras que sufocam e prendem as pessoas na morte, desatar as amarras que prendem as pessoas aos projetos que não constroem vida. A ordem de Jesus é deixar as pessoas caminhar livremente. E “muitos” dos que “viram” “creram” em Jesus (cf. Jo 11,45).

Caros irmãos e irmãs. A profecia de Ezequiel renova a esperança, de uma vida nova, a todos os sofredores.  A ressurreição de Lázaro revela que a vida venceu a morte, pelo poder Daquele que é o Senhor da vida, Jesus Cristo, Nosso Senhor. Crer nesta verdade que Jesus traz e anunciá-la é condição para bem celebrar a Páscoa, nesse complexo contexto em que estamos vivendo, da cultura da morte, presente, de modo especial, nas situações de fome em que se encontram milhões de nossos irmãos. Que o Senhor nos ajude e nos anime neste caminhar, com renovada esperança, balizada pela Sua gloriosa Ressurreição.

Um bom domingo a todos e que Deus os abençoe.

Dom Adimir Antonio Mazali – Bispo Diocesano de Erexim