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Espiritualidade Mariana

A espiritualidade cristã procura seguir uma vida orientada pelo Espírito, sempre na busca da vontade do Pai, no seguimento de Jesus Cristo. A Virgem Maria é a primeira e mais fiel discípula dessa espiritualidade durante toda a sua vida. Ela se deixou imbuir plenamente dessa espiritualidade para dizer, no momento da anunciação: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua vontade” (Lc 1, 38); ou nas Bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5); ou ainda, entoar o Magnificat: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador…” (Lc 1, 47). Por estes e outros textos percebemos que Maria vive a partir da fé, reza a partir da ação de Deus em sua vida e na de seu povo. Por isso deveríamos aprender mais a rezar como Maria e não só a ela. Os discípulos de Jesus perguntaram ao mestre como deveriam rezar. Ele lhes ensinou a oração do Pai Nosso. Se eles tivessem feito a mesma pergunta para Maria Santíssima ela, certamente, teria dito: “Rezai assim:

A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador,

porque olhou para a condição humilde de sua serva.

Todas as gerações, desde agora, me chamarão bem-aventurada,

porque o Poderoso fez por mim grandes coisas.

Santo é o seu nome,

e sua misericórdia se estende, de geração em geração,

sobre aqueles que o temem.

Ele manifestou poder com o seu braço: dispersou os soberbos nos pensamentos de seu coração.

Depôs os poderosos de seus tronos

e exaltou os de condição humilde.

Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada.

Amparou Israel, seu servo, lembrando-se da misericórdia, como prometera a nossos pais,

a Abraão e à sua descendência, para sempre” (Lc 1, 46-55).

Na busca da espiritualidade mariana perguntamo-nos sobre a maneira de como chegar a ser digno/a de abrigar o Divino hóspede, Jesus Cristo, também em nossa vida. Creio que os antigos Santos Padres souberam mostrar o início do caminho: “Prius in mente quam ventre concepit”. Sim, antes que Maria concebesse o Senhor no ventre, ela o havia acolhido, concebido na mente, no espírito, no coração, na vida, na fé. O Senhor já era hóspede em sua vida de fé, mas por graça e bondade Deus veio a tornar-se também digna da encarnação do Salvador, sendo ela o primeiro Sacrário de Deus, por obra do Espírito Santo. A vida da Virgem Maria, portanto, não se separaria mais do Filho; Ela se consagrou totalmente ao plano de Deus.

Algo semelhante os povos latino-americanos desejam aprender de Maria, como afirma o Documento de Aparecida: “Com alegria constatamos que ela (Maria Santíssima) tem feito parte do caminhar de cada um de nossos povos, entrando profundamente no tecido de sua história e acolhendo as ações mais nobres e significativas de sua gente. Os diversos títulos e os santuários espalhados por todo o Continente testemunham a presença próxima de Maria às pessoas, e ao mesmo tempo manifestam a fé e a confiança que os devotos sentem por ela. Ela pertence a eles e eles a sentem como mãe e irmã” (DAp 269).

Que unidos a Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, aprendamos a viver o seguimento missionário de Jesus Cristo.

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul