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Jesus Cristo, nosso único Salvador

Em todas as épocas da história, mas especialmente na nossa, muita gente tem negado a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo em suas vidas, recusando-se teoricamente ou na prática a aceitá-lo como o único Salvador do mundo e de suas pessoas, esgrimindo como motivação o fato de que a Mensagem do Evangelho seria, por exemplo, um empecilho ao progresso, uma imposição à liberdade humana de uma cultura não mais importante para as realidades atuais. Tempos difíceis vivemos.

A 1a Leitura deste Domingo (Isaías 29, 3.5-6) nos apresenta a Palavra do Senhor: “O Senhor me disse: Tu és meu servo, Israel, em quem serei glorificado”. Embora estas palavras tenham sido dirigidas ao profeta Isaías, em última análise, dirigem-se a todo o Povo de Deus e acada um e nós. Hoje, a Igreja é o povo de Deus do Novo Testamento, nascido no Calvário com o sangue do Cordeiro. Fomos batizados para participar da missão profética, real e sacerdotal de Jesus Cristo. Cada um de nós foi salvo por Ele e também assumimos a mesma missão que Ele assumiu, no mundo. O Senhor disse a cada um de nós que Ele nos chama desde o ventre materno. Não existem pessoas no mundo que não interessam a Deus. Todos são chamados à vida e à Igreja por Deus, através de um amor infinito. É triste saber como algumas pessoas hoje reclamam de não serem amadas, de viverem sem nenhum apoio afetivo. Mas isso está errado. Cada um de nós foi chamado à vida por Deus, e Ele, com amor infinito, nos ama e cuida de nós. Deus nunca abandona seus filhos. Seu amor é eterno e fiel.

A cena do Evangelho de hoje (João 1, 29-34) acontece às margens do rio Jordão, onde João Batista prega e realiza o batismo de conversão. Este batismo não é o Batismo instituído por Jesus, o Sacramento da Nova Lei, através do qual são infundidos em nós a Graça Santificante, os dons do Espírito Santo e as virtudes teologais, e é apagada a mancha do pecado original. Quando as pessoas recebiam o batismo de João, com este gesto declaravam a aceitação do desígnio redentor do Pai, proclamado por João Batista.

“Naquela altura, João Batista viu Jesus vir ao seu encontro […]”, conta-nos o Evangelho. Assim como passou por João Batista, também Jesus passa frequentemente por nós, ajudando-nos em nosso caminho de santidade pessoal. Ele nos alerta, e nos diz, por exemplo, que essa pessoa precisa da nossa ajuda, que precisamos confiar mais em Deus etc. É preciso prestar mais atenção, viver diante de Deus e acolher com fé o que Ele quer nos dizer. Ele nos desafia a todo momento: a pedir ajuda, Ele fala ao nosso coração,  chama a atenção para algum aspecto de nossas vidas que precisa ser melhorado. Com esse espírito de fé, poderemos ver os milagres que Deus nos faz a cada dia.

O Evangelho continua: “João ainda testemunhou: Eu vi o Espírito Santo descer do céu como uma pomba e pousar sobre ele”. Também nós recebemos o Espírito Santo no Batismo. Como nas margens do Jordão, o Espírito Santo veio sobre nós: o Céu – fechado para nós desde o pecado original de nossos primeiros pais – foi aberto, o Pai declarou – referindo-se a cada um de nós – ser o nosso Pai em Jesus, É também a nós que Ele se refere, quando diz: “Eis o meu Filho amado”. Desde então, nos tornamos filhos de Deus.

O Espírito Santo nos foi dado para que gentilmente nos ajude a formar dentro de nós uma imagem viva de Jesus Cristo. Para isso, precisamos estar constantemente atentos às inspirações do mesmo Espírito Santo, e segui-las com presteza e cuidado, além das muitas outras graças que vêm de Deus.

Nosso exame noturno de consciência deve se concentrar principalmente neste ponto: estou obedecendo ao Espírito Santo a cada momento do dia? Sem esse esforço, não podemos ser imagens vivas de Jesus Cristo, atraindo, para encontrá-lo, as pessoas que não podem vê-lo ou que nunca o conheceram.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen