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Jesus é sinal de contradição

 

Dia 02 de fevereiro a Igreja celebra a Apresentação do Menino Jesus no templo de Jerusalém. Seguindo os costumes da época, quando chegou o tempo determinado pela lei judaica, Maria e José foram a Jerusalém para a purificação da mãe. Naquele tempo, toda mãe judia, após os 40 dias do nascimento de um menino, deveria ir ao Templo de Jerusalém oferecer um sacrifício e apresentar o primogênito a Deus.

Lá encontraram Simeão, um ancião justo e santo que esperava a consolação para Israel, e o Espírito lhe prometera que ele não morreria sem ver o Messias chegar. Ele queria ver o Messias antes de morrer. Quando Simeão recebeu Jesus em seus braços, sua voz proclamou um hino de louvor ao Deus que visitava seu povo.

O cântico é muito breve, proferido por todos que realizam a oração “das completas” antes de dormir e se denomina em Latim: Nunc dimitis – que significa: Deixa agora teu servo ir em paz! Trata-se de um abandono sereno e confiante de todo ser humano que sente próximo o ocaso de sua vida, e o acolhe com grande paz.

Com Simeão é necessário aprender a serenar a vida, especialmente quando ela tende ao seu fim. O cântico de Simeão não é um adeus melancólico à vida e à tarefa cumprida; ao contrário, é um salmo festivo às promessas de Deus que, em Cristo, cumpre sua plenitude. É o canto da salvação universal “preparada para todos os povos”  (Lc 2,31-32).

Sobre Jesus há um duplo oráculo: salvação e juízo. Nele, fé e incredulidade se confrontam. Por isso, a primeira profecia de Simeão se apresenta como um oráculo de divisão: Esse menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Ora, não é possível manter-se neutro e indiferente diante de Cristo: é uma pedra que pode ser a angular para toda construção, ou uma pedra de tropeço e queda. Tudo depende de crer ou não crer em sua Boa-Nova.

O segundo oráculo é destinado à Maria: Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma. O sentido dessa profecia está na linha do prenúncio precedente: Maria está no coração da batalha pró ou contra Cristo. Também ela deverá conhecer a rejeição e a morte de seu Filho. Entretanto, quanto mais ela o perderá, mais ela o encontrará.

Em meio a esse cenário triste está a luz de Cristo, que dissipa toda treva. Por isso, Maria traz em seus braços a luz do mundo. Ela é a senhora da luz que guia os navegantes nas noites escuras do mar da vida. Ela carrega a luz, sem ser ela mesma a luz. Por isso, em 02 de fevereiro comemora-se também Nossa Senhora dos Navegantes e Nossa Senhora da Luz ou da Candelária. Maria não tem a luz própria da divindade. Não é o sol. Mas, por se deixar iluminar pelo sol de Cristo, assemelha-se à lua que, por ser banhada pela luz do sol, pode iluminar a noite.  Iluminada, tornou-se iluminadora.

 

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria e Presidente do Regional Sul 3