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Jesus subiu aos céus

 

“Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus” (Atos 1,1-11, Salmo 46, Efésios 1,17-23 e Marcos 16,15-20). Este fato da vida de Jesus Cristo a Igreja celebra anualmente como a Ascensão do Senhor. Depois da ressurreição, Jesus com o corpo glorificado, se encontra algumas vezes com os apóstolos e outras pessoas bem conhecidas para confirmá-las na fé. O Catecismo da Igreja Católica ensina sobre o artigo da fé da ascensão de Jesus “A ascensão de Cristo assinala a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, de onde voltará, até lá, no entanto, o esconde aos olhos dos homens. Jesus Cristo, Cabeça da Igreja, nos precede no reino glorioso do Pai para que nós, membros de seu corpo, vivamos na esperança de estarmos um dia eternamente com ele. Tendo entrado uma vez por todas no santuário do céu, Jesus Cristo intercede sem cessar por nós como mediador que nos garante permanentemente a efusão do Espírito Santo” (n.665-667).

O mistério da ascensão deve ser compreendido em conexão direta com a Páscoa e com todo movimento de abaixamento e elevação que caracterizou a vida de Jesus. A Igreja, desde a origem, não leu a partida de Jesus como desaparecimento ou abandono, mas como subida daquele que era e permanece presente, também quando não é mais visível ao olhar humano.

São Lucas, em Atos dos Apóstolos, narra que “Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma, que seus olhos não podiam mais vê-lo. […] Apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: “Homens da Galileia, porque ficais aqui, parados, olhando para o céu?” Na celebração da Ascensão esta pergunta é dirigida a nós. Ela faz pensar sobre sentido e o destino da vida humana a partir de Jesus Cristo.

A pergunta “porque ficais aqui, parados, olhando para o céu?” refere-se a duas atitudes relacionadas com as duas realidades, nas quais está inserida a vida humana: a terra e a celeste. Estando aqui na terra, perguntamos sobre o porque estarmos aqui, qual a nossa missão, qual o sentido de tudo o que se pensa e se faz. Na visão cristã respondemos que somos obra do Criador, criados à sua imagem e semelhança; com a dignidade de filhos de Deus e destinados a imortalidade. Mas, devido a liberdade os homens abusaram e disseram “não” a Deus, fazendo o mal entrar na existência com suas consequências de sofrimentos e de morte. Mas também sabemos que Deus não abandonou as suas criaturas oferendo, desde o princípio, meios para orientar, curar e perdoar. Acima de tudo, enviou Jesus não para condenar o mundo, mas para salvá-lo. Mas ainda fica a questão: a terra na qual nos encontramos é o destino definitivo? Tudo termina com a morte?

Neste contexto, entramos na segunda parte da pergunta e da resposta: “Os apóstolos continuavam olhando para o céu”. Para nós o ensinamento é claro. Somos chamados, permanecendo na terra, a fixar o céu, a orientar a atenção, o pensamento e o coração para o mistério inefável de Deus. Somos chamados a olhar na direção da realidade divina, para a qual o homem está orientado e destinado desde a criação. Ali está contido o sentido definitivo da nossa vida.

O tempo do já e ainda não é o tempo do anúncio do Reino e das decisões, da fadiga cotidiana do serviço. Os homes da ressurreição não amam o céu em detrimento da terra, porque a espera do Reino definitivo coincide com a esperança cotidiana do homem. Pensar nas coisas do céu não significa ser sonhador, mas viajante e peregrino. Amar a terra onde habitamos, sem esquecer a meta. A história sagrada é a história do homem, com as suas aspirações de vida abundante na terra e plena no céu.

 

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo