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Maria, mãe de Deus e da Igreja

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O mês de maio, dedicado à Mãe de Jesus, nos traz presente, com maior intensidade, a participação e a importância da mulher no projeto criador e redentor de Deus nosso Pai. Mas seria uma omissão de nossa parte, como Igreja, comunidade de fé, vivermos este mês sem manifestar gratidão a Deus pela presença materna de Maria no projeto de amor do Pai e na vida da Igreja. Ela foi mãe, servidora e fiel discípula de Jesus. Por isso, este mês é tempo propício também para refletirmos e reconhecermos “a dignidade da mulher e a sua indispensável contribuição na Igreja e na sociedade, ampliando sua presença, especialmente na formação e nos espaços decisórios”, como nos lembra o documento 105 da CNBB, sobre os cristãos leigos e leigas.

A participação da mulher sempre esteve presente no projeto de amor de Deus, e a sua atuação na missão e na vida da Igreja ajudou a tornar mais visível o amor do Pai, manifestando sua ternura divina e humana na vida das pessoas, nas famílias e em tantas realidades de abandono, de violência e de dor, muitas vezes desconhecidas ou ignoradas por muitos de nós.

A Igreja, que é mãe e mestra, vive de Cristo. Por isso, Jesus Cristo é a fonte de tudo o que a Igreja é e de tudo o que ela crê (DV, n.8). Em sua ação evangelizadora, a Igreja tem o compromisso de fazer resplandecer o rosto paterno e materno do Criador. Ela está a serviço do Reino de Deus, por isso ela não comunica a si mesma, mas o Evangelho, a palavra e a presença transformadora de Jesus Cristo, na realidade em que se encontra, sem deixar de ser mãe, que acolhe os filhos, e mestra, que cultiva e ensina os valores do Evangelho. Nesse processo de evangelização, os batizados precisam também percorrer um caminho de iniciação cristã, de crescimento na fé, para fazerem a experiência do encontro transformador com Jesus Cristo. Do encontro e da comunhão com o Mestre Jesus, nasce, alimenta-se e se fortalece a vida de fé do discípulo e missionário do Reino.

Imbuídos de atitudes de gratuidade, que expressam e manifestam o amor de Jesus pela humanidade, os discípulos missionários promovem justiça, paz, reconciliação e fraternidade. Desse modo, oferecem à sociedade atual o testemunho de perdão e da reconciliação, são promotores e semeadores da paz. A reconciliação, que busca implantar e desenvolver uma cultura da paz, pode tornar possível a superação de toda divisão, que nos afasta de Deus e nos separa uns dos outros. Diante de graves situações que fazem os irmãos sofrerem, os discípulos se enchem de compaixão, clamam por justiça e paz e sabem que só se vence o mal com o bem.

Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, o Papa Francisco recorda que: “Uma fé autêntica – que nunca é cômoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ele” (EG n. 183).

Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul