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Não vim chamar os justos, e sim os pecadores…

Essa resposta de Jesus aos Judeus que o criticavam porque andava com os pecadores, como na ocasião do chamado vocacional de Mateus para ser seu apóstolo, coloca em crise muita gente que se acha melhor e mais digna que os outros e, muitas vezes, no direito de julgar e até de achar que Deus é injusto ao dar o perdão e ser tão misericordioso.

Claro que Jesus veio para salvar a todos, como vai dizer em outro texto que faz chover sobre bons e maus e sair o sol sobre justos e injustos, mas o exemplo que ele usa para justificar sua resposta não tem como ser contestado: quem precisa do médico não é a pessoa com saúde, mas o doente. Resposta essa que tem um pouco de ironia por parte de Jesus, até porque é uma forma de convidar os próprios fariseus, que se consideravam os perfeitos cumpridores da lei, a estudar melhor a lei da misericórdia de Deus: “Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’” como falara o profeta Oséias: “Quero amor e não sacrifícios, conhecimento de Deus mais que holocaustos” (6, 6).

Esse chamado de Mateus, um cobrador de impostos – função odiada pelos judeus – é um indicativo importante: Deus pode convidar para ser seu discípulo e discípula quem ele quer e de onde ele preferir. Deus não chama os perfeitos – se é que existe alguém perfeito – mas os que buscam viver sincera e coerentemente sua vida. Na verdade, o que Deus precisa é de pessoas capazes de amar e de se entregar totalmente pela causa do Evangelho.

A iniciativa do chamado é sempre de Deus, mesmo quando se serve de pessoas e acontecimentos para despertar o interesse a colocar-se num caminho de busca e discernimento vocacional. O 3º Ano Vocacional que está acontecendo no Brasil deixa isso muito claro com o tema: “Vocação: Graça e Missão”. Como costuma dizer o Pe. Ildomar Ambos Danelon com o seu lema sacerdotal: “A iniciativa é de Deus, a resposta da pessoa e a fidelidade de ambos”.

“É partindo do infinito amor de Deus que a pessoa poderá responder ao chamado a ser ‘discípula missionária’ em meio à humanidade. Uma resposta de amor e gratidão ao Amor recebido gratuitamente de Deus, que move a entrega da vida pela salvação do próximo, pois aquele que foi ferido de amor não pode guardar para si tal graça sem a fazer resplandecer em todas as dimensões de sua vida” (Texto Base 43).

Jesus continua passando e chamando homens e mulheres – como fez com Mateus – para anunciar o Evangelho à toda criatura. Ele precisa de novos discípulos e discípulas para continuar a sua missão no mundo.

Para refletir: Se Jesus passar no meu local de trabalho ou casa e me convidar a ser seu discípulo estou disposto a deixar tudo para segui-lo e servi-lo? Acho isso impossível? Por que? Como entender, hoje, a palavra de Jesus: “não vim chamar os justos, mas os pecadores”?

Textos bíblicos: Os 6,3-6; Rm 4-18-25; Mt 9,9-13; Sl 40(50).

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório