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Natal do Senhor

“Hoje nasceu para nós um Salvador, que é o Cristo, o Senhor!

O caminho percorrido no Advento foi criando um clima de expectativa para as festas natalinas. O coração foi sendo preparado para acolher com alegria o Salvador. Agora é tempo de júbilo, de festa e de unir as nossas vozes com a vozes dos anjos que anunciaram o extraordinário acontecimento do nascimento de Jesus Cristo. Assim como os anjos anunciaram aos pastores: “hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador”; a Igreja anuncia aos habitantes do mundo que “hoje” nasceu para todos o Salvador.

Ainda é atual e necessário o anúncio de que “hoje nasceu o Salvador?” A humanidade atual goza de progressos em todas as áreas, usufrui de um progresso técnico, científico que tornou a geração atual extremamente poderosa e autossuficiente. Talvez ela nem deseja a presença de Deus. Todas as invenções humanas são maravilhosas, úteis e necessárias para o bem da humanidade. A pergunta é se tudo isto também faz crescer a vida espiritual e ensina a amar o próximo, cuidar da “casa comum?”

O extraordinário acontecimento do Natal celebra o acontecimento central da história da humanidade: Jesus Cristo assume a condição humana para salvar humanidade. O evangelista Lucas situa este acontecimento no contexto histórico. Portanto, foi numa noite historicamente datada que se verificou o acontecimento esperado por tanto tempo. Parece algo tão bonito e ao mesmo tempo tão distante. O fato revela quem é Deus. Ele se fez próximo e está muito próximo de nós, que tem tempo para todos e veio morar entre nós. Somente a grandeza de Deus permite que assuma a vida de menino, nascer num lugar periférico. Fez-se pequeno para permitir livre acesso a ele. Deus tornou-se um de nós para que pudéssemos viver com ele, tornando-nos semelhantes a ele.

O Natal anuncia a paz. A história da humanidade está marcada por tantos sofrimentos provocadas por decisões humanas. Acompanhamos diariamente notícias desta natureza, onde as guerras são um exemplo extremo de fonte de sofrimento. Na noite do Natal a liturgia vai recordar o anúncio do profeta Isaías: “Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho: ele traz nos ombros a marca da realeza; o seu nome é: conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da paz”. Segundo o evangelista Lucas, o anúncio do nascimento de Jesus aos pastores se completa com uma multidão da coorte celeste cantando louvores: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”.

O sentido bíblico da paz é bem amplo. Designa boa ordem e harmonia, vai além do pensamento humano, é fruto do espírito. A paz é um estado de tranquilidade interior e de relações harmoniosas com a comunidade. Em resumo, significa um conjunto de fatores que tornam a vida humana digna, realmente humana. A paz bíblica sempre compreende a presença de Deus. Ele é a referência e a garantia da paz. Ele quer a “paz para todos os homens na terra”. Paz sempre é comunhão com Deus e o próprio Jesus é nossa paz.

A paz é um dom concedido, mas também uma missão confiada. Ao celebrarmos o Natal somos convidados a ser mensageiros da paz. Convidados a unir nossas vozes para anunciarmos a paz. Também supliquemos que as promessas de Deus se realizem. Onde houver discórdia que desponte a paz. Onde houver ódio e indiferença nasça o amor. Onde predominam as trevas surja a luz. Amém.

Feliz a abençoado Natal.

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo