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Natal: os Anjos e o Salvador

O Natal sempre nos remete aos anjos cantores da Noite Santa que anunciaram o nascimento do Salvador. Os anjos são mensageiros de Deus. Eles protegem dos perigos, vigiam os caminhos e falam em sonhos. São mensageiros de uma realidade profunda e invisível. Unem o Céu e a Terra. Quando o anjo avisa os pastores sobre o nascimento de Jesus, o brilho divino cerca-os de luz. A vida fica iluminada e mais completa.  Os pastores, logo que  os veem, têm medo e se assustam. Eles sentem a presença poderosa de Deus no seu mensageiro. O anjo, porém, tira-lhes o medo e lhes transmite a grande alegria. Ao anjo dos pastores juntam-se muitos outros anjos. Eles louvam a Deus todo o tempo. Eles sopram uma brisa suave como a da alegria de viver.

Olhando para o presépio, tornamo-nos todos mendicantes da paz, carentes de um mundo pacificado, sedentos da justiça e do bem sobre a Terra. Como no tempo do presépio, queremos ser homens e mulheres de boa vontade, que desejam construir um mundo novo, onde Jesus seja Mestre e Senhor, onde justiça e paz se abracem.  O presépio é um convite para acolhermos a renovada oferta de Deus para nos colocar no caminho da paz que sai do coração de Cristo.

Deus se fez carne e habitou entre nós. Sem carne, Deus permaneceria sem rosto neste mundo. É através da carne que a face de Deus pode brilhar entre nós. Eles vêm a nós como uma criança, frágil como um recém-nascido. Não há nada que cause menos temor do que um bebê. E é esta a grandeza do Natal: Deus aproxima-se de nós na mansidão de uma criança, para que ninguém fuja dele, para que todos sejam atraídos ao presépio. Quem olha para aquele Menino reclinado na manjedoura sente-se atraído pelo mistério da vida, mas, aproximando-se mais, percebe sua divindade. Ele é Deus conosco, Jesus é Deus.

Aquele que ninguém viu e jamais alguém contemplou, apresentou-se a nós como um irmão na fragilidade do filho de Maria, na grandiosidade do Deus encarnado. O nascimento de Jesus renova todas as coisas. Ele mesmo se apresenta como a novidade maior que a história já recebeu. Sua vinda ao mundo mudou tudo, coloriu a vida, abriu o caminho e as janelas luminosas no meio da escuridão da vida. A luz que o Cristo traz dissipa toda treva e faz germinar, no coração humano, a esperança. Apesar das guerras, dos sofrimentos e das violências, o Menino de Belém revela-se como o Deus-conosco, aquele que nunca nos abandona e sempre dá motivos para erguermos a cabeça e recomeçar cada dia de novo.  Olhando a Divina Criança, percebemos seu silêncio. Jesus é um recém-nascido, não se mexe, simplesmente se apresenta. Não fala, está aí apenas para ser admirado. Todos podem falar ao redor dele, mas ele é apenas uma presença.

No seu silêncio ele diz tudo: “Eis que estou convosco! Não tenhais medo!” No centro do coração do Pai está Jesus, seu Filho, e como Jesus colocou no centro de sua vida os doentes, os pobres, os sofredores e pecadores, podemos dizer que todos estamos no centro do coração de Deus. Que saibamos acolher essa graça de sentir o quanto somos amados por Deus e ser capazes de unir nossas vozes às de toda a comunidade humana para dizer: Glória a Deus nas alturas e paz na Terra!

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria