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“Ninguém nasce cristão, mas torna-se cristão!”

Minha saudação a todos os irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese. Na caminhada da Igreja Católica, em todo o Brasil, estamos vivendo o processo de Iniciação à Vida Cristã. Trata-se do processo de transmissão da fé e dos valores do Evangelho, às novas gerações. Desse modo, a Iniciação à Vda Cristã apresenta-se como um dos grandes desafios pastorais da atualidade. Diversas questões culturais e sociais dificultam o processo da iniciação à vida cristã. No contexto histórico de “cristandade”, por muitos séculos, a sociedade transmitia a fé cristã, às novas gerações, por meio dos pilares sociais, religiosos e culturais. Naquele contexto era natural ser cristão ou nascer cristão, restando à Igreja o “ato segundo”, o da catequese, centrada no ensino, na transmissão dos conteúdos e na administração dos sacramentos. Se naquele contexto era lógico ser cristão, hoje, as mudanças culturais e tecnológicas apontam para a necessidade de um profundo processo de evangelização. Com muita razão, Tertuliano, no século II, dizia que “ninguém nasce cristão, mas torna-se cristão!” (Apol. XVIII,4). Por isso, hoje é claro para todos nós que não se chega a ser cristão apenas por tradição familiar ou pela celebração do rito do batismo, oficiado pela Igreja. A iniciação à vida cristã é todo um processo pelo qual alguém é inserido no itinerário da fé cristã.

Prezados irmãos e irmãs. A Liturgia da Palavra, sobretudo o Evangelho, deste fim de semana, faz ver como ocorreu o processo de iniciação à vida cristã, na comunidade dos primeiros discípulos de Jesus. Todos nós, hoje, somos convidados a nos espelhar nesse processo. Os passos que ocorreram são significativos. Vejamos!

1º passo: o testemunho. Tudo começa com o testemunho de João Batista, que anunciou a seus discípulos: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (…) Eu vi e dou testemunho que ele é o Eleito de Deus” (Jo 1,29.34). O testemunho é fundamental no processo de evangelização e de iniciação cristã. Em primeiro lugar, e acima de qualquer coisa, evangelizar é partilhar com as pessoas a vivência da experiência de Deus. Só pode indicar Jesus a alguém, quem fez a experiência de um encontro profundo com Ele. Isto aponta à importância do testemunho de fé e de participação de todos, na comunidade eclesial. O testemunho de João Batista fez com que seus discípulos seguissem Jesus. O testemunho de André fez com que Pedro, seu irmão, seguisse Jesus. O nosso testemunho pode ajudar outras pessoas a seguirem Jesus.

2º passo: o encontro. O testemunho de João Batista levou seus discípulos a buscarem Jesus. Perguntou Jesus àqueles que o encontraram: “Que estais procurando?” (Jo 1,38). No percurso de nossa história, há buscas corretas e buscas equivocadas. Na intenção de conhecer Jesus Cristo, saber e compreender Sua proposta, como também entender seu Evangelho, eles perguntaram a Jesus: “Mestre, onde moras?” (Jo 1,38). Somente uma convivência amável, de conversa pessoal com o Mestre, seria possível conhecer tudo o que Jesus tinha a dizer e ensinar. Jesus, aberto ao anseio deles, acolheu-os com alegria, dizendo-lhes: “Vinde e vede” (Jo 1,39). A busca daqueles moços gerou um encontro com Jesus: “Eles foram e viram onde Jesus morava” (Jo 1,39). André “conduziu Simão a Jesus” (Jo 1,42), para que se encontrasse pessoalmente com Ele. É o encontro pessoal com Jesus que transforma a pessoa.

3º passo: o seguimento. O encontro com Jesus, no contexto de Sua vida, gerou naqueles homens a vontade grande de ser e de viver como Ele. Então, eles foram, viram, encantaram-se com Jesus e com Ele passaram a conviver. Dessa forma, a vida daqueles simples jovens transformou-se para sempre, fazendo com que eles aderissem a Jesus e à sua proposta, a ponto de decidirem por “permanecer com ele” (Jo 1,39), aceitando ser Seus discípulos. Permanecer com Jesus significa aceitá-Lo como Mestre e Guia da vida, ponto de partida para o Seu seguimento.

4º passo: a missão. Em Mateus, a missão dos Onze Discípulos é fazer com que “todos os povos se tornem discípulos de Jesus” (Mt 28,19). Em decorrência desta missão, Jesus “constituiu Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar” (Mc 3,14). Permanecer com Jesus, significa viver como Ele e deixar-se modelar, num itinerário de seguimento, a ponto de ser por Jesus enviado em missão. Assim, “Jesus enviou os Doze” (Mt 10,5). Em consequência desse envio, diz o Evangelho: “Eles partiram e pregaram por toda a parte. O Senhor agia com eles e confirmava a Palavra, por meio dos sinais que a acompanhavam” (Mc 16,20).

Caros irmãos e irmãs. O Evangelho mostra o caminho que todos nós devemos seguir. O itinerário da vida cristã é um processo que parte do testemunho das pessoas, provocando nelas o desejo do encontro e o seguimento de Jesus e, por consequência, o envio à missão de evangelizar. Desse modo, peçamos a graça e a coragem de percorrermos esses passos, no seguimento de Jesus, tornando-nos cada vez mais cristãos autênticos e fiés.

Deus abençoe a todos, e bom domingo!

 

Dom Adimir Antonio Mazali – Bispo Diocesano de Erexim