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Ninguém pode salvar-se sozinho

No primeiro dia do novo ano, com uma mensagem do Papa Francisco, é celebrado o Dia Mundial da Paz, que foi instituído em 1968 pelo Papa São Paulo VI. Na mensagem para este dia (2023), o Papa faz um convite a refletir sobre as lições deixadas pela pandemia e pela guerra na Ucrânia. O tema escolhido é “Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir da Covid-19 para traçar sendas de paz”.

Já se passam três anos desde o início da Covid-19 que trouxe para a humanidade grandes transformações e gerou “desorientação e sofrimento, causando a morte de tantos irmãos e irmãs.” Além do luto, o vírus causou um mal-estar generalizado, atingiu o trabalho de muitas pessoas, agravou a solidão em nossas sociedades, fez aflorar contradições, desigualdades e fragilidades.

Francisco insiste “que, dos momentos de crise, nunca saímos iguais: sai-se melhor ou pior. Hoje somos chamados a questionar-nos: O que é que aprendemos com esta situação de pandemia?

“A maior lição que Covid-19 nos deixa em herança é a consciência de que todos precisamos uns dos outros, que o nosso maior tesouro, ainda que o mais frágil, é a fraternidade humana, fundada na filiação divina comum, e que ninguém pode salvar-se sozinho”. “É juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos.”

A pandemia deixou também atitudes positivas, como um regresso à humildade; uma “redução de certas pretensões consumistas; um renovado sentido de solidariedade, que nos encoraja a sair do nosso egoísmo para nos abrirmos ao sofrimento dos outros e às suas necessidades; bem como um empenho, em alguns casos verdadeiramente heroico, de muitas pessoas que se doaram para que todos conseguissem superar do melhor modo possível o drama da emergência”.

Quando o mundo pensou que o pior da noite da pandemia estivesse superado, uma desgraça terrível se abateu sobre a humanidade: a guerra na Ucrânia, que ceifa vítimas inocentes e espalha a incerteza e feitos colaterais em todo o mundo: “basta pensar nos problemas do trigo e nos preços dos combustíveis”.

“Com certeza, o vírus da guerra é mais difícil de derrotar do que aqueles que atingem o organismo humano, porque o primeiro não provém de fora, mas do íntimo do coração humano, corrompido pelo pecado.”

Outra lição deixada pela pandemia é que as crises morais, sociais, políticas e econômicas estão interligadas. E os desafios, infelizmente, não são poucos: guerras, alterações climáticas, desigualdades, desemprego, migração e o “escândalo dos povos famintos”. “E assim somos chamados a enfrentar, com responsabilidade e compaixão, os desafios do nosso mundo.”

“Compartilho estas reflexões com a esperança de que, no novo ano, possamos caminhar juntos valorizando tudo o que a história nos pode ensinar”, conclui o Santo Padre, fazendo os melhores votos aos Chefes de Estado e de Governo, aos Responsáveis das Organizações Internacionais, aos líderes das várias religiões.

Desejo a todos os homens e mulheres de boa vontade que possam, como artesãos de paz, construir dia após dia um ano feliz! Maria Imaculada, Mãe de Jesus e Rainha da Paz, interceda por nós e pelo mundo inteiro.”

Dom José Mario Scalon Angonese – Bispo de Uruguaiana