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Nossa Senhora Mãe de Deus e nossa Mãe

A Igreja honra a Nossa Senhora durante as celebrações solenes deste 1o dia do ano, com seu título mais antigo e mais importante, que é o de “Mãe de Deus”.

O Apóstolo São Paulo, na 2a Leitura da Missa desta Solenidade (Gálatas 4,4-7) anuncia este grande mistério: «Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher”. Portanto, o Filho único de Deus Pai, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Jesus Cristo, como homem, é também filho de Maria. Os cristãos sempre reconheceram a divindade de Jesus Cristo e seu verdadeiro nascimento da Mãe de Deus. Combinando essas duas verdades, Orígenes (autor cristão que viveu entre os anos 185 a 254) será o primeiro escritor cristão a usar a fórmula “Theotókos” (Mãe de Deus) aplicada a Nossa Senhora. Esta verdade da fé, um autêntico dogma, foi definido no Concílio Ecumênico de Éfeso em 431. As dificuldades que o Concílio enfrentou diziam respeito à autêntica compreensão do mistério da Encarnação do Verbo de Deus no seio de Maria.

Um bispo desta época, muito influente, chamado Nestório, que era o Patriarca de Constantinopla, não conseguia entender a Encarnação do Verbo e, em sua opinião, Cristo era simplesmente um homem que tinha em si uma presença muito especial da Divindade, mas não era Deus. Portanto, segundo Nestório, Maria foi mãe apenas do homem Jesus, mas não de Deus. Esta forma de pensar contraria os dados do livro do Apocalipse de São João, que mostram que o Filho de Deus, nascido eternamente na Santíssima Trindade, inalterável, nasceu no tempo, tornando-se também homem por Maria. A Mãe de Deus é, portanto, esta criatura extraordinária que, com Deus, pode dizer ao Filho de Deus: “Tu és meu Filho”.

É preciso entender que esse privilégio humanamente inimaginável foi concedido a Maria para a nossa salvação. Maria é a Mãe de Deus para que, em Jesus nós possamos ser filhos de Deus. A nossa filiação divina, como sabemos, é obra da graça batismal, que nos identifica com Jesus e nos torna, junto a Ele, filhos de Deus e também filhos de Maria.

Além disso, Deus quis que todas as graças fossem distribuídas pelas mãos de Sua Mãe; portanto, tudo o que há de bom em nós e o que veio de Deus, chegou até nós pelas mãos da Mãe de Deus, como acontece com as mães na vida natural. Enquanto olhamos hoje com admiração e gratidão para a Mãe de Deus e nossa Mãe, devemos também olhar com admiração e gratidão para aquela outra criatura maravilhosa que é o Filho de Deus, que é a razão pela qual Maria foi cumulada de tantas graças. Olhar a Maria nos faz sempre olhar para Jesus.

A Mãe de Deus nunca se esqueceu da gratuidade dos dons e privilégios recebidos de Deus. Por isso foi sempre a serva do Senhor, humilde, fiel e agradecida. Sejamos também nós, a exemplo de nossa mãe do céu, humildes e gratos, nunca esquecendo que tudo o que há de bom em nós é graça de Deus, dom imerecido.

Podemos repetir muitas vezes à Mãe de Deus: “Mãe de Deus e minha Mãe, fazei de mim um servo bom e fiel do vosso Filho”.

Hoje celebramos o Dia da Paz. Jesus é “nossa paz” porque nos redime e também porque traz a paz ao coração humano. Com uma vida na graça de Deus, recebemos a virtude infundida do amor, que nos permite amar a todos, compreender a todos, perdoar a todos, respeitar a todos e criar laços de unidade. O amor é o princípio da unidade e da paz porque o amor aproxima e une.

Rezemos à Mãe de Deus e à Mãe da Paz, que por sua intercessão, ela nos obtenha a paz ao mundo e a cada coração.

Um Feliz 2023 para todos.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen