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O Domingo da Paixão

 

No domingo anterior ao da Páscoa, a Igreja Católica celebra o Domingo de Ramos, ou mais propriamente o Domingo da Paixão de Cristo. A celebração tem início com os fiéis reunidos à porta da igreja com ramos de oliveira para serem abençoados. É proclamado o Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém, quando é aclamado Rei Messiânico pelo povo da cidade. Nesta entrada triunfal, Ele é aclamado com Hosanas, palavra hebraica que significa “salve-nos, vos pedimos”. A narrativa nos conta que as pessoas cortavam galhos de árvores para aclamar a passagem de Cristo enquanto outros estendiam seus mantos para Jesus passar, montado num jumento. Era típica a situação em que grandes líderes da época adentrassem nas cidades montados em cavalos brancos para expressar seu poder e dominação. Jesus subvertendo essa expressão de poder, prefere entrar em Jerusalém montado num jumento para significar sua humildade e diferente versão sobre o poder, bem compreendido como serviço.

Na celebração os ramos são aspergidos com água benta e é realizada uma procissão com a cruz, recordando aquela entrada de Jesus em Jerusalém. No mesmo ato litúrgico, faz-se a leitura do Evangelho da Paixão de Jesus Cristo, segundo um dos evangelistas do ano. O ano de 2024 é São Marcos. A Leitura da Paixão permite compreender que tipo de Rei e Messias é Jesus: o servo sofredor que se entrega à morte para revelar seu amor pela humanidade. Merece atenção alguns traços característicos do Evangelho de Marcos relativos à Paixão de Cristo. O Evangelista dá relevo particular a figura de São Pedro. Ele acentua como Jesus foi abandonado por todos na hora da Paixão. Tanto o relato da entrada triunfal de Jesus quanto a narrativa da Sua Paixão, indicam aos seus seguidores de todos os tempos que a glória de Cristo significa humildade e capacidade de transformar a dor em amor. Também ensina o valor da oração dirigida ao Pai, que sustenta na hora da provação, mesmo quando não somos capazes de entender o que está acontecendo em nossa história.

Todos os dias recebemos anúncios de mortes, atentados e guerras. É diante da morte que o enigma da condição humana mais se intensifica. Para o cristão, contudo, a cruz de Cristo é um luminoso sinal de que a morte foi vencida e que todos os que associarem a esse mistério pascal serão capazes de entender a força na fraqueza, a glória na humilhação, a vida na morte (São Leão Magno).

 

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria e Presidente do Regional Sul 3