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O penúltimo domingo do ano

Neste penúltimo domingo a Igreja recorda as nossas limitações. Nós todos estamos a caminho de nossa passagem para a outra vida. Em nossa vida tudo passa porque tudo é limitado, tudo termina. A nossa existência física e corpórea vai se desgastando e um dia vai terminar.

As leituras deste domingo nos preparam para aceitar os nossos limites e já nos falam sobre os sinais dos tempos, que apontam para a eternidade e para a vida definitiva que um dia teremos, quando libertos de nosso corpo, com suas limitações, e para sempre ficaremos numa vida nova que já estamos construindo e merecendo.

O profeta Daniel, no Antigo Testamento, escreve em estilo apocalíptico, revelando claramente a sua fé numa outra vida definitiva, ou junto de Deus numa eternidade feliz ou longe de Deus, numa condenação eterna. Esta é a fé que perpassa o homem da Bíblia.

Jesus Cristo veio para nos salvar. Ele fez a sua parte. Ele ofereceu um sacrifício único pelos nossos pecados. Ele já está sentado à direita de Deus à espera do encontro definitivo com todos aqueles que foram salvos e vivem na esperança de um dia estar para sempre com o Senhor dos vivos e dos mortos.

No Evangelho, é Jesus que nos aponta para os sinais da natureza que nos fazem identificar o tempo e a história. Logo entendemos que o verão se aproxima e que a chuva está chegando, que o ano está terminando e que a vida vai passando. Assim, o ano litúrgico vai chegando ao fim e nós começamos a refletir um pouco sobre os últimos acontecimentos.

Jesus deixa muito claro tudo passa e por isso Ele diz: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13,21-22). Todos os projetos humanos, materiais e concretos são passageiros, tem duração efêmera e um dia vão acabar. Sobre isto não temos nenhuma dúvida. Importa apenas nos encaminhar para o que vem depois.

Neste feriadão da república que também é oportuno pensar que, na democracia os governos se sucedem, e ninguém se eterniza, tal como acontece em nossa tão rápida passagem pelo mundo.

Dom Zeno Hastenteufel – Bispo Diocesano de Novo Hamburgo