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O Reino de Deus

Na 1a Leitura deste Domingo (1 Reis 3,5.7-12) aprendemos do rei Salomão a não pedir longa vida, ou riqueza, ou a morte dos inimigos. Salomão, como rei, pediu ao Senhor bens mais importantes, para exercer bem o seu reinado: fidelidade, justiça e retidão de coração. São pedidos que também nós podemos pedir ao Senhor, para viver bem, nesta terra.

A vida de alguém não é maravilhosa pelo simples fato de ser longa. A vida é um dom precisos de Deus. Mas é preciso aproveitá-la não simplesmente mediante uma visão plana, rasteira. Viver bem é uma arte, significa adquirir a sabedoria que nos faz buscar não simplesmente a acrescentar anos à vida, mas sim, dar vida e sentido aos anos que Deus nos conceder, sejam eles muitos ou poucos.

Outro engano comum é o de se pensar que a riqueza, o acúmulo de bens materiais produzam felicidade e alegria. É preciso aprender a forma correta de utilizarmos a possível riqueza e os bens matriais. É preciso aprender a dar a cada coisa o valor que tem. É mais importante o ser que o ter. Se temos riqueza, devemos agradecer ao Senhor esse bem e procurar reparti-lo com os outros, sobretudo com os mais pobres. O mau uso dos bens materiais, focado tão somente na utilização egoísta dos mesmos, produz um efeito devastador, de escravidão e de infelicidade. Tantos têm muito, mas são infelizes porque não aprenderam a usar os bens que tem.

Assim como Salomão, aprendamos a pedir ao Senhor um coração sábio e esclarecido, para distinguir o bem do mal e para que jamais os bens materiais se tornem, em nossas vidas, fonte de destruição e de mal.

Salomão, como nos relata a Sagrada Escritura, começou bem a sua vida, mas acabou mal. É preciso ter cuidado com isto! Começar bem, todos podem fazer. Mas acabar bem é só dos que perseveram, dos que são fiéis ao Senhor e se mantém como tal.

As parábolas que escutamos hoje, no Evangelho da Missa (Mateus 13,44-52), a do tesouro escondido em um campo e a das pérolas preciosas, devem nos levar a pensar na forma como utilizamos os bens deste mundo. Eles são meios e não fins. O nosso fim autêntico é a eternidade, o céu. Hoje, devemos pedir ao Senhor a graça de saber utilizar os bens terrenos, evitando que eles nos façam perder de vista a salvação eterna que Deus nos prometeu, por Jesus.

Já, a parábola da pesca de peixes bons e dos que não prestam, sendo os peixes bons guardados nos cestos e os que não prestam jogados fora, é um alerta para a necessidade de nunca deixar de meditar que na Nova Aliança, assim como no Antiga Aliança, Deus dá a cada um de nós a possibilidade de escolher entre a vida e a morte, entre a bênção e a maldição, entre o acolher a visão de Deus por toda a eternidade ou o rejeitar a visão de Deus para sempre.

Em seu plano amoroso para conosco, Deus nos predestinou para sermos conformes à imagem de seu Filho, como nos diz São Paulo na 2a Leitura (Romanos 8,28-30). Ele quer que tenhamos esta certeza: Ele nos criou para sermos salvos. Desde toda a eternidade Ele nos conheceu e nos amou, e fará tudo o que for necessário para que vivamos esta vida em comunhão de amor com Ele, para podermos compartilhar de sua glória no céu.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen