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O Sacramento da Penitência

O segundo mandamento da Igreja Católica recomenda aos fiéis confessarem-se ao menos uma vez por ano.

O sacramento da Penitência e da Unção dos enfermos são considerados sacramentos de cura. Vamos nos deter no sacramento da penitência – ou da reconciliação, ou Confissão. Este sacramento exprime o dom de Deus do perdão dos pecados. Nele acolhemos a ternura e a misericórdia divina. Nele experimentamos que Deus nos ama e nos acolhe do jeito que somos, nos convida a mudar o rumo da nossa vida, a sermos pessoas maduras e responsáveis por nossos atos.

A Palavra de Deus não serve apenas para ajudar no exame de consciência da comunidade ou da pessoa individualmente. Ela nos contextualiza na dinâmica da história da salvação na qual Deus sempre age com amor, ternura, misericórdia. No sacramento acolhemos a oferta de amor fiel e misericordioso de Deus ao seu povo e a resposta fiel a Deus em Cristo na Igreja. Celebrar a reconciliação é ser reintroduzido na comunhão dos que acreditam em Deus por Cristo e no Espírito.

Celebrar a reconciliação é uma virtude permanente com raízes na existência do dia a dia. O perdão tem seu fundamento e origem em Cristo através da Igreja. É encontrar-se com os desígnios de Deus, recuperando a confiança na misericórdia do Pai que nos transforma na força da Páscoa do seu Filho.

Celebrando este sacramento retomamos a graça batismal, manifestamos nosso esforço de busca de santidade e vida de gratuidade. Ao celebrá-lo não esqueçamos de outras práticas penitenciais também importantes: as vias sacras, as orações ou novenas; as romarias e caminhadas; a escuta e leitura da Palavra de Deus; a participação nas iniciativas da comunidade; as visitas aos doentes e empobrecidos. Estes gestos e ações se inserem na dimensão do sacramento da reconciliação, pois nos inserem no processo de conversão e de nossa presença no mundo a ser transformado. Ser, como convém ao cristão, verdadeiramente sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-14).

Os efeitos da celebração penitencial são: retomada da comunhão e da aliança com Deus; reintegração na comunidade eclesial; restauração da comunhão com os santos; consciência tranquila; retomada da dignidade de filhos e filhos de Deus; crescimento espiritual e testemunho cristão.

Para que tenhamos uma boa celebração penitencial é necessário: consciência dos pecados e sincero arrependimento; confissão dos pecados (graves ou leves); propósito de cumprir a penitência.

Ao confessar os pecados, a pessoa deve ser ajudada a não se fixar no seu passado, mas ser capaz de olhar para frente e buscar uma vida nova nascida da Páscoa do Senhor. Exortamos que os católicos busquem o Sacramento da Reconciliação para bem celebrar a Páscoa. Pois, como nos diz o Papa Francisco: “Quando te sentires envelhecido pela tristeza, os rancores, os medos, as dúvidas ou os fracassos, Jesus estará ao teu lado para te devolver a força e a esperança” (CV, 2).

Dom José Mario Scalon Angonese – Bispo de Uruguaiana