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O Senhor faz silêncio para nos escutar!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O Senhor Ressuscitado volta o seu olhar para cada um de nós quando nos reunimos, como comunidade de fé, para rendermos graças a Deus pelo dom da vida, pela fé, a família, o trabalho, os amigos e tantas coisas boas, que tocam a nossa vida de peregrinos neste mundo. O Senhor nos escuta no silêncio, com amor e compaixão.

A Igreja, vivendo a missão que o Senhor lhe confiou, deve ser mãe que consola e mestra que ensina seus filhos e filhas.  Por isso, também em nossos dias, com voz profética, fala ao coração de seus fiéis. Em meio às luzes e sombras do nosso tempo, como cristãos, conscientes e comprometidos com o Evangelho, seremos testemunhas do Ressuscitado no mundo, se a nossa alegria se faz vida, que acolhe o necessitado e as suas necessidades, não como sacrifício, mas como lugar de transfiguração e de oferta da própria vida. Fazendo com que, em cada situação, o caminho do outro seja acolhido e seja repleto do dom que Jesus faz aos seus, que faz a nós, e, através de nós, quer oferecer ao “mundo todo” (1Jo 2,2). Nenhuma palavra e nenhum gesto podem traduzir melhor a palavra com a qual o Ressuscitado se dirige aos seus discípulos: “A paz esteja convosco”! (Lc 24,36).

A chama da fé e a da paz, que na tribulação se faz anúncio de vida, na experiência da morte mais cruel, está ainda nas mãos da Igreja de Cristo, morto e ressuscitado, e talvez nos espera, para que também nós possamos dizer, com o salmista: “Eu tranquilo vou deitar-me e na paz logo adormeço, pois só Vós, ó Senhor Deus, dais segurança à minha vida”! (Sl 4,9).

Mas uma pergunta permanece aberta (Lc 24,36): nos passos do dia a dia, nós falamos das coisas de Deus, para que o Senhor possa inserir-se na nossa conversa, como fez com os discípulos de Emaús, sem correr o risco de nos incomodar? E ainda: Do que verdadeiramente sentimos “necessidade” de falar ao Senhor Ressuscitado, para que a nossa vida de fé seja “viva”? Não temos nada a temer, nada do que nos envergonhar (Lc 24,39). Como explica Santo Agostinho: “Jesus Cristo é a nossa salvação (…) e tem julgado ser útil para os seus discípulos conservar as cicatrizes, para curar as feridas de seus corações”. E se interroga, interpretando as nossas perguntas: “Quais feridas? Aquelas da incredulidade?”

O mistério da conversão não é a garantia de não ter jamais errado, mas de ser capaz de mudar todas as vezes que é necessário. No Senhor Jesus, o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. Não se trata da perfeição que é irrepreensível, mas daquela perfeição que nasce do perdão. O Ressuscitado retorna para junto dos Apóstolos com uma paz interior, que se torna dom de paz incondicional, e capaz de recolocar em movimento a vida e o amor.

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul