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O teu trono será firme para sempre

O relato bíblico sobre o rei Davi e seu desejo de construir um templo para Deus reflete não apenas a generosidade do rei, mas também a vontade divina de que essa tarefa fosse realizada por seu sucessor. Esse episódio revela uma lição fundamental: Deus recompensa a generosidade e obediência, como foi evidenciado na promessa feita a Davi, de onde nasceria o Messias prometido a Abraão, como nos relata a 1a Leitura deste Domingo (1 Crônicas 17,11-14).

Esta narrativa não apenas ressalta a magnificência da fidelidade divina, mas também nos adverte sobre a importância de cuidar das coisas de Deus. Isso se estende ao cuidado e respeito para com Jesus, especialmente na Eucaristia, onde Ele se apresenta a nós, e naqueles que são os mais necessitados.

Nossa responsabilidade vai além do zelo pelas estruturas físicas das igrejas e dos objetos de culto. Trata-se também do respeito ao ambiente sagrado desses locais, onde tantos cristãos parecem negligenciar sua sacralidade, comportando-se como se estivessem na rua ou em um mercado. É essencial reconhecer que ali é um espaço para o diálogo com o Senhor, e não um local para conversas triviais.
Olhemos para Nossa Senhora. Ela é nossa mestra!

Maria, a mãe de Jesus, nos oferece um modelo atemporal de como acolher adequadamente a presença de Jesus. O relato do Evangelho (Lucas 1,26-38) nos apresenta sua humildade, fé e prontidão em aceitar a vontade de Deus por meio do Arcanjo Gabriel.
Sua resposta simples, “Eis a escrava do Senhor. Faça-se em Mim segundo a tua Palavra”, desencadeou o acontecimento transcendental em que o Verbo Divino se fez carne no ventre puríssimo de Maria. A atitude de fé, humildade e obediência da Virgem Maria é uma inspiração e uma lição para todos nós.

Assim como Maria, somos convidados a identificar-nos com Jesus e a estar prontos para cumprir a vontade de Deus. Esta obediência amorosa é central para acolher a mensagem de Cristo, que veio para nos ensinar a seguir a vontade divina como caminho para nossa felicidade neste mundo e no próximo.

São Paulo, na 2a Leitura (Romanos 16:25-27), discorre sobre o mistério da salvação que Deus oferece a todos, para ser alcançado pela fé. A humildade, fé e obediência amorosa de Maria servem de modelo para acolhermos a salvação trazida por Jesus.

À medida que nos aproximamos do Natal, é crucial seguir o exemplo de Nossa Senhora e de São José, que receberam e trataram Jesus com amor. Devemos imitá-los, levando a alegria cristã e o amor também a todos ao nosso redor, mesmo àqueles que parecem indiferentes ou insensíveis à mensagem de salvação que só Jesus pode trazer.

Neste período, que possamos nos dedicar mais à oração, recorrendo a Nossa Senhora e a São José como intercessores, a fim de recebermos orientação para vivermos o verdadeiro espírito natalino. Que nosso amor e alegria de cristãos sejam chaves que abram muitos corações ávidos pela salvação trazida por Jesus, mesmo quando aparentam resistência.

E que neste Natal possamos refletir sobre o exemplo de Maria e como sua humildade, fé e obediência podem ser inspirações para uma celebração mais profunda e significativa do nascimento de Jesus Cristo, o Salvador do mundo.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen