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Onde está o teu irmão?

 

O texto base para analisar a realidade parte desse texto, chamado síndrome de Caim. As atitudes dele “acaso sou o guarda do meu irmão?” continuam até hoje. Embora saibamos que todos somos irmãos, percebemos muitas atitudes que dizem o contrário. Podemos elencar algumas: diferenças, divergências, oposições, inimizades, fechamentos, desigualdades, indiferença, rejeição, divisões, exclusão, individualismo, crise de pertencimento, destruição, guerras, violência, morte, alterofobia… Tudo isso nos leva a crer que a nossa sociedade padece de uma doença bem específica que podemos denominar ‘alterofobia’, ou seja, medo, rejeição, aversão a tudo aquilo que é outro, tudo o que não sou eu mesmo… A outra pessoa, a outra causa, o outro sonho, o outro esforço, tudo, enfim, que não seja eu mesmo, acaba por se tornar desnecessário, ameaçador, destinado à rejeição e até mesmo à extinção.

A esse diagnóstico das doenças, felizmente, encontramos também muitas virtudes: permanente disposição à solidariedade, sadia e complementar pluralidade, disposição a doar a própria vida, movimentos sociais, associações comunitárias, Pacto Educativo Global, Economia de Francisco e Clara, processos de escuta sinodal, as Comunidades Eclesiais… O próprio texto nos indica o caminho: “Se o diagnóstico, fruto do nosso ver como discípulos de Jesus Cristo, na missão de anunciar o Reino de Deus, é a ‘alterofobia’, o remédio para o tratamento deve ser a amizade social… pois estamos efetivamente diante de uma pandemia sociocultural, que clama por transformação e conversão à luz da fraternidade nascida do Evangelho”.

Para alcançarmos a verdadeira cura, o remédio consiste em reconhecer que somos todos irmãos e irmãs, possuidores da mesma dignidade, o que nos dá uma igualdade fundamental, portadores da mesma natureza, vocação e destino. Reconhecer que nossas diferenças não são um problema, mas uma riqueza. Terrível seria se pensássemos todos da mesma maneira. Nem as diferenças e nem as divergências nos impedem de viver o mandamento de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

 

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório